Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de dezembro de 2015
Houve um período no qual minha irmã de 25 anos, Willa, decidiu começar a se comunicar comigo por meio de comentários em fotos no Instagram publicadas pelo rapper canadense Drake. Algumas vezes era só pra dizer “oi”, outras para me informar sobre seus planos para o final de semana. Uma ou duas vezes, tivemos conversas inteiras dessa forma. Não pensei muito a respeito na época. Sem dúvida, parecia um pouco estranho, mas eu achei que era alguma coisa da Geração Y.
Minha irmã não era a única a usar métodos fora do padrão para se comunicar. Um amigo meu só se comunica pelo Yo (que, basicamente só permite que as pessoas “cutuquem” umas às outras com uma palavra: Yo). Minha mãe usa o FaceTime; meus colegas de trabalho, o Slack; um amigo alemão, o Telegram (que é também o método preferido do Estado Islâmico, já que é criptografado).
No meu smartphone, eu tenho pelo menos uns 12 apps que permitem que eu entre em contato com as pessoas. E, obviamente, há outras centenas que eu definitivamente não uso. É chato e desconcertante pensar sobre o assunto e a parte mais estranha é que, na maior parte do tempo, eu sequer percebo que estou me comunicando em tantas plataformas diferentes. Já me peguei enviando mensagens para a mesma pessoa em canais diferentes.
“Cada um serve a seus próprios propósitos”, declarou minha colega de trabalho Amanda Weatherhead, de 26 anos. “Você pode telefonar quando tiver uma história longa. O Snapchat é para algo breve que você quer compartilhar uma vez. Facebook e Instagram é para compartilhar coisas engraçadas com seus amigos. WhatsApp é para pessoas de fora do país. Slack é para trabalho.”
Aplicativos.
O Snapchat é um dos apps mais populares e é geralmente descrito como quase impossível de operar por qualquer pessoa acima de 30 anos. Sua característica única é que as fotos enviadas desaparecem – o que é perfeito para o envio e o recebimento ostensivo de fotos impróprias. Sua utilidade real, entretanto, é que é uma forma fácil de misturar texto e imagens. Eu demorei seis meses para enviar meu primeiro snap com sucesso. É suficiente para fazer você sentir falta dos bons velhos dias de máquinas de escrever e caligrafia. Ou talvez os bons velhos dias não fossem tão diferentes.
“Sempre houve muitos níveis e extensões de intimidade”, disse Finn Brunton, professor-assistente do departamento de mídia, cultura e comunicação da Universidade de Nova York (EUA). “As pessoas faziam coisas com as cartas para dar mais significado.”
Isso nos faz lembrar dos aplicativos de encontro, a versão atual da correspondência íntima. Eles ilustram o dilema hierárquico das comunicações modernas. Quando, por exemplo, você pode ter como amigo no Facebook alguém que você conheceu no Tinder? “Eu não envio nada além de mensagens de texto até eu ter saído com a pessoas pelo menos uma vez”, disse Weatherhead. Isso mostra que a tecnologia não mudou as coisas. “Tínhamos nuances antes”, disse o professor Bruton. “Mas nunca estivemos neste nível de precisão ou diversidade”.
Tendência.
Não só a vida pessoal está sendo invadida por todo esse universo de conversas. Aplicativos de mensagem estão chegando a um local de trabalho perto de você. Muitas empresas usam o Slack, que permite abrir diferentes salas de bate-papo. Recentemente, a empresa levantou 340 milhões de dólares em uma rodada de investimentos. O Slack é o mais famoso, mas não está sozinho. Em uma viagem a São Francisco (EUA), conheci o Twilio, uma empresa que oferece ligações de VoIP na nuvem e envio de mensagens de texto. Ela já levantou 250 milhões de dólares. (AE)
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