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Brasil Após a queda recorde da taxa básica de juros, o desafio agora é cortar os juros dos bancos ao público

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Se a expectativa se confirmar, será o 11º corte seguido na taxa básica. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Após a taxa Selic atingir o seu piso histórico, a redução dos juros cobrados nos empréstimos bancários é o próximo desafio na economia.

Quem diz isso é Eduardo Loyo, 51 anos, sócio e economista-chefe do banco BTG Pactual.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-diretor do Banco Central diz que a reforma da Previdência deve continuar dominando a agenda econômica e sugere que, se os congressistas temem as eleições, a votação pode ser deixada para os meses finais de 2018.

Para Loyo, o próximo governo deve mirar mudanças na dinâmica de gastos com salários, mas observa: não vale apoiar qualquer candidato, mesmo que abrace a agenda considerada correta.

1) A reforma da Previdência sai?

Quanto mais a gente se aproxima das eleições, mais difícil fica. Mas há uma janela alternativa, ainda em 2018. Existe um pedaço do ano que não vai estar às vésperas das eleições: o período depois delas. Mas é claro que prefiro ver isso resolvido logo.

2) O Congresso em fim de mandato teria legitimidade para votar a reforma?

Seria mais interessante para o País fazer agora. Mas, se não conseguir, será que é melhor esperar e fazer somente em 2019? Em 2018, a janela de oportunidade em que mais acredito é o fim do ano.

4) O governo vai cumprir a meta fiscal e o teto de gastos?

No ano que vem ainda é equacionável. Em 2019 vai se tornar mais complicado. As questões associadas ao teto são mais difíceis. Vamos ter que olhar para programas que tenham perdido seu objeto, como o abono salarial. Acredito que seria razoável redirecionar parte dos recursos para outro programa mais focalizado em redução de desigualdade e pobreza.

5) Qual é a agenda econômica dos sonhos para o senhor?

Não é dos sonhos, é da realidade. É fazer a reforma da Previdência e uma política que torne diferente a dinâmica de gastos do governo com a folha de pagamentos dos servidores. Uma readequação de vários programas de subsídios. Tornar a estrutura tributária mais eficiente e equilibrada. Há uma agenda enorme -e não é dos sonhos. Assim fica parecendo que, se a gente não fizer nada, tudo bem. E, se fizer, vai ser um mundo maravilhoso de sonhos. Não é. Se fizermos todas essas coisas, vamos ter chances razoáveis de prosperidade e ganhos de renda. Se não, o quadro é bastante ruim.

6) A alta do PIB em 2018 pode favorecer um candidato com a agenda de reformas?

Não é favorecer um candidato, mas favorecer que os candidatos se sintam mais à vontade para abraçar essa agenda numa medida maior do que o fariam se estivessem se deparando com sacrifício, sacrifício e sacrifício em nome de benefícios só depois de amanhã. Esperamos alta de 2,7% para o PIB em 2018.

7) E mexer na tributação para reduzir desigualdade?

O histórico da tributação de grandes fortunas não é animador. Tributação sobre herança é uma discussão válida. A nossa é mais baixa do que em outros lugares. Mas acho que há na pauta uma série de medidas para melhorar a contribuição do aparato fiscal para a distribuição de renda que nem sequer dizem respeito à tributação.

8) A velocidade de queda do juro foi adequada?

O Banco Central foi conservador no fim de 2016, mas lá ninguém achava que a inflação ia cair do jeito que caiu. Eu mesmo tive reparos à condução da política monetária, mas no sentido contrário, de achar que o corte estava sendo rápido demais ao longo de 2017. E reconheço que foi melhor do que eu mesmo poderia ter sugerido. Vimos uma execução magistral em termos de desinflação.

9) O que esperar para o juro e a inflação?

Neste ano, a inflação fecha mesmo abaixo do piso. Em 2018, a inflação deve ficar perto de 4% ou um pouquinho acima. Projetamos juro em 6,75% em fevereiro e vai ficar aí pelo restante do ano. O fato é que estamos chegando ao limite do que é adequado fazer com a taxa básica. Pode ser que ela fique em 6,5%, 6,75% ou 7%, mas já estamos agora afunilando as possibilidades. Acho que a próxima fronteira em termos de normalização do quadro de juros no Brasil é que os juros cobrados nos empréstimos, principalmente às pessoas físicas, acompanhem toda a queda da Selic. A correlação para as pessoas jurídicas não é tão estreita quanto é para pessoas físicas.

10) Por que os juros não caíram?

Depende do quadro de incerteza que vigora no período em que esses financiamentos são concedidos e também depende um pouco das condições da oferta e da demanda.

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