Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 17 de dezembro de 2017
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, a construção de um projeto eleitoral envolvendo partidos da base do presidente Michel Temer que tenha como discurso as reformas do governo.
1- Durante 2017, o sr. foi tachado de aliado e, num certo momento, de que estava querendo derrubar o presidente. O sr. encerra o ano legislativo como aliado ou uma sombra a Temer e ao PMDB?
Sempre disse que não sairia do processo das denúncias [da PGR contra Temer] com a pecha de oportunista. Sendo o primeiro da linha sucessória, não poderia fazer movimento concreto para empurrar o presidente para fora do Palácio.
2- Na primeira denúncia, o sr. chegou a sentir que havia um risco de o presidente perder.
Sem dúvida, mas nunca me mexi para isso. Ninguém nunca me viu chamar um deputado para falar “vote contra o presidente”. Todo mundo dizia “Rodrigo, pisca o olho”. Não vou piscar. “Você tá louco. Como está perdendo a oportunidade de ser presidente do Brasil?”. Tenho muita vontade de ser presidente do Brasil. Mas pelo voto. Ou pela naturalidade da decisão do plenário.
3- O sr. falou que tem vontade de ser presidente. O sr. pode ser candidato à Presidência em 2018?
Não. Hoje tenho um reconhecimento, inclusive da oposição, por não ter sido desleal ao presidente. Tenho o reconhecimento por não ter usado a presidência da Câmara como ela foi usada [pelo então presidente Eduardo Cunha, hoje preso] contra a Dilma. Acho que comecei o ano de um tamanho e terminei com este respeito.
4- E esse aumento de tamanho já não coloca o sr. numa posição de disputar o Planalto?
Não tenho poder eleitoral. Não acho que as pesquisas, nos próximos meses, virão me dando algum poder eleitoral.
5- Então, qual o seu plano para 2018?
É que a gente possa ter um projeto de poder com essa agenda de modernização do Estado brasileiro, de reformas. Acho que o DEM pode ser protagonista disso junto com mais um ou dois partidos com quem a gente tem boa relação.
6- Quais? Não é o PMDB?
Não posso dizer. E não é que neste projeto o PMDB esteja excluído. O meu projeto de poder inclui o PMDB. Uma coisa é o projeto de poder eleitoral. Outra coisa é partidário. Quero construir um projeto onde o DEM possa ser o líder desse novo ciclo da política.
7- Ou seja, o DEM se coligaria a mais dois partidos e, quando acabar a eleição, formariam um só?
Formam um partido só que traga para este projeto pessoas que pensem parecido.
8- Mas vocês precisam de um candidato próprio à Presidência para isso, não?
O Brasil precisa de um candidato que defenda uma agenda de reformas, que naturalmente é convergente com parte do governo de Temer. Você não precisa ter um candidato que faça uma tatuagem “eu sou Michel Temer” na testa, você precisa ter um candidato que tenha uma agenda de reformas, porque naturalmente o governo será beneficiado.
9- Esse é um discurso parecido com o do Meirelles. Meirelles é esse candidato?
Não sei qual o papel que o PSD vai exercer. A primeira pergunta que ele [Meirelles] precisa responder rapidamente é se tem ou não tem o partido dele [PSD] para organizar a eleição. O partido dele vai até o final com ele ou não?
10- O sr. é candidato à reeleição a deputado e presidente da Câmara?
Meu projeto é ser candidato a deputado federal e reeleito. Se a base que eu represento na Câmara for majoritária, posso ser candidato à presidência da Câmara novamente.
11- O sr. não poderia ser vice numa possível chapa com Meirelles?
Essa chance é zero. Meu protagonismo na Câmara, mesmo não sendo presidente da Casa, é maior do que ser um vice-presidente da República.
12- Quem seria o candidato do DEM?
Para mim, o ACM Neto. Quem hoje dentro do DEM tem as melhores condições eleitorais? ACM Neto. Quem dentro do DEM tem hoje as melhores condições políticas? Sou eu. Friamente falando.
13- Como enfrentar a candidatura de Jair Bolsonaro (PSC-RJ)?
Ele representa uma parte da sociedade que vota nele como sinalização de protesto. A sociedade vai buscar um caminho, que são essas duas palavras: equilíbrio e diálogo. E acho esse ponto o mais frágil do Bolsonaro. Ele dialoga com um segmento da sociedade, não com a maioria.
14- Esse cenário que o sr. desenha é com ou sem o ex-presidente Lula? O que mudaria a ausência dele?
Gostaria que o Lula disputasse porque eu acho que ele perderia. Para o Brasil é melhor o Lula perder nas urnas. Mas não sou eu que decido pelo Judiciário. O Lula não existindo como candidato, tudo que está colocado em pesquisa é besteira. Vai zerar o jogo. A pressão para que todos esses partidos que, em tese, fazem ou fizeram parte da base do Temer, tenham um candidato diminui e aumenta o número de candidatos.
15- Qual será o principal fator dessa eleição?
TV, bom projeto e um candidato que tenha condições de visitar o Brasil. Ninguém morre por falta de dinheiro, todo mundo se reorganiza.
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