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Economia Após repercussão negativa, governo derruba aumento de tarifa para produtos eletrônicos

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A maioria dos 105 produtos que voltam a ter a tarifa zerada são bens de capital e itens das áreas de informática e telecomunicações. 

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A maioria dos 105 produtos que voltam a ter a tarifa zerada são bens de capital e itens das áreas de informática e telecomunicações.  (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Após forte repercussão negativa no Congresso Nacional e nas redes sociais, o governo federal decidiu revogar o aumento do imposto sobre produtos importados – que havia sido anunciado no início deste mês. Conforme divulgado nessa sexta-feira (27), foram zeradas as tarifas para 105 itens. Além disso, estão mantidas as alíquotas de outros 15 artigos de informática nos patamares anteriores.

A decisão do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), órgão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), retomou alíquota original para smartphones.

A elevação na tarifa para comprar desses itens no exterior seria de até 7,2 pontos percentuais – impactando setores e consumidores que buscam esses produtos em outros países. A maioria dos 105 produtos que voltam a ter a tarifa zerada são bens de capital e itens das áreas de informática e telecomunicações. Os outros 15 produtos permanecem com alíquota de importação, porém em níveis reduzidos, entre eles, smartphones e notebooks.

A decisão retomou as tarifas anteriores para produtos como:

* notebooks – 16%
* smartphones – 16%
* gabinetes com fonte de alimentação – 10,80%
* placas-mãe – 10,80%
* indicadores ou apontadores (mouse e track-ball, por exemplo) – 10,80%
* mesas digitalizadoras – 10,80%
* unidades de memória de estado sólido (SSD) – 10,80%

O governo estimava arrecadar até R$ 14 bilhões neste ano com a medida. Ainda não há dados sobre o impacto da revogação parcial no aumento das tarifas, mas o cumprimento da meta de superávit nas contas governamentais em 2026 ficará mais difícil. Na estimativa do Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, o aumento no imposto de importação poderia gerar arrecadação de até R$ 20 bilhões neste ano.

Ao justificar o aumento realizado no início deste mês, agora revertido, o governo informou, em nota técnica, que a escalada das importações dos bens de capital e de informática mostrou crescimento acumulado, desde 2022, de 33,4%.

Argumentou, também, que sua penetração no consumo nacional ficou acima de 45% (posição de dezembro do ano passado), ou seja, em “níveis que ameaçam colapsar elos da cadeia produtiva e provocar regressões produtiva e tecnológica do país, de difícil reversão”.

Representantes de importadores, por sua vez, viam impacto na competitividade e na inflação brasileira. Diziam que a indústria nacional de bens de capital não consegue atender plenamente à demanda interna nem acompanhar o ritmo da modernização global.

Em nota técnica, o Ministério da Fazenda dizia que o efeito do aumento de tarifas no IPCA deveria “ter efeito indireto baixo e defasado, pois bens de capital e de informática são bens de produção, com exceções e regimes atenuando a cobertura efetiva”.

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