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Política Após ser chamado de patife por Bolsonaro, o governador paulista pede calma ao presidente

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João Dória e Bolsonaro trocaram ofensas durante a semana passada. (Foto: Governo de SP)

Após ter sido chamado de “patife” pelo presidente Jair Bolsonaro, que o responsabilizou mais uma vez pelos efeitos econômicos do lockdown em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) pediu “caaaaalma”, alongando a palavra, ao adversário político, pelo Twitter.

“Pelo jeito, a primeira dose de vacina anti-rábica não foi suficiente. É muito amor pela minha calça apertada”, acrescentou o governador, na rede social, anexando à mensagem a manchete de um portal de notícias sobre visita feita por Bolsonaro de moto a São Sebastião, no entorno de Brasília, onde esteve com uma família venezuelana. Ao chegar ao Palácio da Alvorada, o presidente voltou a fazer críticas a governadores e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante a visita, Bolsonaro abriu uma transmissão ao vivo em sua conta no Facebook. “Nunca nosso Exército vai fazer qualquer coisa contra a liberdade privada de vocês e vocês sabem que, toda vez que precisaram das Forças Armadas, elas estiveram ao seu lado, não ao lado de possíveis governadores com vieses ditatoriais”, afirmou Bolsonaro ao atacar governadores pelas medidas de fechamentos de atividade econômica durante a crise.

Bolsonaro criticou novamente o STF por ter dado aval a decretos de prefeitos e governadores que proibiram cultos e missas na pandemia. O presidente da República classificou a decisão como o “absurdo do absurdo”, apesar de o País já ter registrado só em abril mais de 27 mil mortes pela doença. Na transmissão, ele chamou João Doria de “patife”.

Entrevista

“O presidente Bolsonaro gosta de errar e gosta de fazê-lo permanentemente”, disse o tucano em entrevista publicada no domingo (11) pelo jornal Correio Braziliense. Aliados na eleição de 2018, Doria e Bolsonaro mantêm uma relação de ataques mútuos, reforçados esta semana com os episódios “patife” e “vacina antirrábica”.

Na entrevista, Doria volta a criticar o governo Bolsonaro em relação à pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de 350 mil brasileiros. “Em vez de se concentrar em buscar soluções para a crise da saúde, a pior pandemia que se abateu sobre o Brasil nos últimos 100 anos, e a crise da economia, do meio ambiente, da educação, da pobreza, ele prefere mergulhar e criar a crise política, eleitoral e ideológica”, disse. “Ele se aplica ao que não é importante e despreza o que é substantivo.”

Doria também minimizou o fato de alguns de seus amigos empresários terem se encontrado com Bolsonaro, o que o governador paulista qualificou como algo de ocasião. “Não vou desrespeitá-los, sei que essa é uma situação momentânea”, disse. “Não condeno meus amigos pelas suas decisões políticas nem eleitorais. Não tenho amigos por razões eleitorais ou partidárias; os tenho por uma vida, uma existência, pelo convívio.”

O governador paulista diz que o episódio envolvendo os amigos não o atinge. “Meu sentimento é de relevar isso, não criar um distanciamento, nem transformar em inimigos quem tomou a decisão de aplaudir Jair Bolsonaro. Eu apenas lamento.”

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