Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de maio de 2021
Mensagens recuperadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro no celular da babá Thayna de Oliveira Ferreira, que constam no inquérito que apura a morte de Henry Borel Medeiros, na madrugada de 8 de março, mostram que a professora Monique Medeiros da Costa e Silva planejou se separar do namorado, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido), cinco dias antes do óbito, segundo informações do jornal O Globo. Jairinho e Monique foram indiciados pelo homicídio duplamente qualificado do menino. Em conversa com o pai, a funcionária diz que a patroa, após ser agredida pelo parlamentar, arrumou suas malas para ele deixar o imóvel com a condição de que Jairinho ficasse “pagando as coisas dela”, senão iria “f… ele”.
Na conversa, com início às 20h22min e término nove minutos depois, Thayna narra ter chegado para trabalhar no apartamento 203 do bloco I do Condomínio Majestic, no Cidade Jardim, onde viviam Monique, Jairinho e Henry, quando a família ainda dormia. Com a ausência da empregada Leila Rosângela de Souza Mattos, a jovem diz ter ficado lavando louça – pratos de comida, talheres e copos. “Geralmente tem gin, vinho, uísque. Mas dessa vez não tinha nada. Então, quer dizer, nem bêbado estava”, escreve ela ao pai.
Após ser perguntada se “Jairinho e Monique estão bem ou se deu merda”, a babá responde: “Vão se separar”. “As malas dele estão lá. Já para ele pegar.” Então, o pai dela diz: “Amanhã tudo volta pro lugar. São doidos”. E Thayna continua: “Ele bateu nela. Enforcou. E aí ela disse que ele vai sair. Mas que vai ficar pagando as coisas dela. Se não ela vai f… ele. Aí ele está com o rabo entre as pernas. E disse que tá. Aí passou o dia todo ligando pra ela. Conversando. Chamando de amor. Como se nada tivesse acontecido. E ela falando que ela não esqueceu não. Que foi a segunda vez que ele fez. A casa tá com as paredes toda suja (sic). Ele quebrou as malas dela. Ele chutava tudo que ela dizia.”
O pai da babá responde: “Amanhã ela volta. Chora.” E Thayna finaliza: “Mas ela disse que não quer ouvir ninguém. Que está de saco cheio”.
Foi Thayna quem narrou em tempo real as agressões de Jairinho contra Henry às 16h do dia 12 de fevereiro. Através do mesmo aplicativo de mensagens, ela contou a Monique que o vereador estava com o menino no quarto, de onde ele saiu minutos depois, mancando, com hematomas nas pernas e braços, dores na cabeça e dizendo haver levado “chutes e bandas” do vereador.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou por homicídio duplamente qualificado – impossibilidade de defesa da vítima e pelo emprego de tortura – o vereador Dr. Jairinho, e Monique Medeiros, padrasto e mãe de Henry Borel, de 4 anos.
Laudo do Instituto Médico Legal revelou que o menino, morto no dia 8 de março, sofreu 23 lesões, três delas na cabeça, e morreu devido a uma hemorragia no fígado provocada por ação violenta.
Além do homicídio, Jairinho também foi indiciado por dois episódios de crime de tortura ocorridos em fevereiro e Monique, por tortura por omissão, porque, segundo as investigações, ela sabia que o filho estava sendo torturado e não agiu para evitar o crime.
O inquérito foi enviado para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que vai decidir se denuncia ou não o casal pelos crimes. As informações são do jornal O Globo e da Agência Brasil.
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