Quarta-feira, 01 de julho de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
15°
Light Rain

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Geral Após um ano da lei, quatro em cada 10 escolas brasileiras têm dificuldade para barrar os celulares

Compartilhe esta notícia:

Pesquisa nacional com gestores aponta que 92% dos colégios implementam legislação. (Foto: Reprodução)

Um ano após a implementação da lei que restringe o uso de celulares nas escolas de todo o País, diretores relatam maior participação dos estudantes nas atividades em classe, maior concentração nas aulas, socialização entre os alunos e queda em conflitos e agressões. Segundo o Ministério da Educação (MEC), 92% das escolas brasileiras já implementam a legislação. Por outro lado, os gestores falam em dificuldade alta para conquistar adesão dos alunos à regra e 39% indicam dificuldade de garantir infraestrutura para armazenamento e guarda dos aparelhos. A maior parte (62%) relata que o celular é guardado na mochila do próprio estudante. Cerca de 31% dos gestores também apontam dificuldade de fiscalizar a aplicação da lei durante as aulas e os intervalos.

Os dados foram divulgados pelo MEC e fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com gestores de mais de 8 mil escolas públicas e privadas de todo o País a respeito da implementação da lei que restringiu o uso dos dispositivos nas escolas. O governo ainda pretende fazer uma nova rodada da pesquisa, ouvindo professores e estudantes.

“Diferentemente de outras leis que são natimortas, essa é uma lei viva, porque ela já está sendo internalizada. Muita lei no Brasil não pega. Se essa pegou, é porque havia um ambiente na sociedade preocupado com esse uso nocivo”, afirmou a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt. Projetos para proibir o uso de celulares nas escolas já tramitavam no Congresso desde 2015. Há dois anos, porém, o Ministério da Educação encampou a pauta e o governo federal atuou no Legislativo para aprovar a lei.

Segundo o estudo, a restrição do uso de celulares ampliou as atividades manuais e artísticas nas escolas, além de impulsionar atividades pedagógicas fora das salas de aula. Para 67% dos gestores ouvidos, a maior prioridade para garantir a eficácia da lei é que haja parceria com as famílias para estabelecer limite de tempo de tela. “Não adianta a escola restringir e, quando chega em casa, ele (estudante) fica o tempo todo na tela”, diz a secretária do MEC.

Cerca de 61% dos gestores também indicam a necessidade de formação dos professores em mediação tecnológica, saúde mental e bem-estar. Seis em cada dez diretores também indicam a necessidade de estruturar espaços de lazer, com reforma de pátios e áreas de convivência.

“A tecnologia veio para melhorar a vida das pessoas. Não é inimiga da humanidade. O MEC teve cuidado desde o início de não demonizar o uso das tecnologias nem dos celulares, o que a gente propôs foi restringir o mau uso”, afirma Schweickardt.

Para 95% dos gestores ouvidos, a restrição de celulares estimulou a socialização presencial; e 88% concordam que a medida contribuiu para redução de conflitos, agressões digitais e ciberbullying. Para 86%, a restrição ao uso dos celulares contribuiu para a redução da ansiedade dos estudantes. E 55% dos gestores observaram a diminuição considerável de conflitos e agressões físicas dentro da escola.

O uso de celular nas escolas, segundo pesquisas, prejudica o aprendizado dos alunos. A pesquisa do MEC não traz, no entanto, análises sobre esse impacto. A secretária justificou que a lei ainda é recente para possibilitar esse tipo de observação, além do fato de que a aprendizagem é multifatorial, o que implicaria considerar outros fatores de impacto.

Em 2023, o relatório Global da Unesco intitulado “A tecnologia na educação, uma ferramenta a serviço de quem?” destacou o risco do uso de celulares para a aprendizagem. “As notificações recebidas ou a mera proximidade do celular podem ser uma distração, fazendo com que os alunos percam a atenção da tarefa. O uso de smartphones nas salas de aula leva os alunos a se envolverem em atividades não relacionadas à escola, o que afeta a memória e a compreensão”, dizia o relatório.

Em março, um novo relatório da Unesco mostrou que 114 sistemas educacionais têm alguma proibição nacional sobre o uso de celulares, o que representa cerca de 58% dos países. O quantitativo representa uma expansão significativa em relação ao dado aferido em 2023, quando apenas 24% tinham uma regra.

Desde 2025, o Brasil vem ampliando a legislação para restringir o acesso de crianças e adolescentes ao ambiente digital. Além da lei que limita o uso de celulares nas escolas, o Congresso também aprovou o ECA Digital, que estabelece uma série de regras para o acesso desse público às redes sociais. A legislação é considerada uma das mais avançadas do mundo e foi celebrada por especialistas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Geral

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Consulado em Portugal previne brasileiros: andem com documentos
Ministério Público Federal denuncia brasileiros e estrangeiros por esquema de tráfico internacional de cocaína ligado à máfia italiana
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x