Quarta-feira, 27 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Arábia Saudita e Rússia arrecadam bilhões de dólares com cortes na oferta de petróleo

Compartilhe esta notícia:

A alta dos preços mais do que compensou a queda nas vendas em volume. (Foto: Reprodução)

Apesar de terem extraído menos barris, Arábia Saudita e Rússia arrecadaram bilhões de dólares a mais em receita com o petróleo nos últimos meses, depois de os preços terem decolado com seus cortes de produção. A estratégia de cortar foi arriscada, tanto financeira quanto politicamente. Mas parece ter valido a pena aos dois membros mais importantes do cartel Opep+, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, encabeçados pela Rússia.

A alta dos preços mais do que compensou a queda nas vendas em volume, estima a consultoria Energy Aspects.

A entrada de dinheiro está ajudando a Arábia Saudita, liderada pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, a financiar projetos locais dispendiosos e a prosseguir com uma campanha em busca de influência no exterior alimentada a investimentos. O dinheiro extra também está assegurando que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, possa manter sua guerra na Ucrânia.

Neste trimestre, a receita saudita diária com petróleo provavelmente foi cerca de US$ 30 milhões maior do que no período de abril a junho, um aumento em torno a 5,7%, segundo análise da Energy Aspects. Para todo o período de três meses, isso equivaleria a US$ 2,6 bilhões. A receita de petróleo russa provavelmente aumentou US$ 2,8 bilhões, mostram os dados.

Mais aperto

Esse êxito poderia levar o cartel a cogitar restringir ainda mais a oferta mundial, segundo alguns observadores do mercado. “A Opep+ assumiu totalmente o volante. Seria possível argumentar que ainda há mais por vir”, disse Saad Rahim, economista-chefe da Trafigura.

O cartel vem aumentando a pressão sobre os mercados de petróleo há meses, mas, até recentemente, suas ações eram neutralizadas pela preocupação com uma recessão mundial e a lentidão no crescimento chinês, o que vinha mantendo as cotações dentro de uma faixa bastante estreita.

Em outubro, os membros anunciaram que reduziriam a produção diária em 2 milhões de barris, o maior corte desde o início da pandemia. Em maio, um número menor de países, liderado pela Arábia Saudita, aplicou um segundo corte, de mais de 1 milhão de barris diários. Em julho, o país anunciou mais um corte, de 1 milhão de barris diários. Em 5 de setembro, Arábia Saudita e Rússia comunicaram que planejam estender seus cortes até o fim do ano.

O petróleo do tipo Brent, referência global, acumulou valorização de 25% neste trimestre e chegou a ser negociado a mais US$ 97 por barril nos últimos dias, embora tenha recuado um pouco recentemente. Nesta quinta-feira (28), o contrato mais negociado fechou a US$ 95,38.

Déficit de barris

Para o quarto trimestre, os técnicos da Opep+ projetam um déficit mundial de 3,3 milhões de barris por dia, e muitos analistas especializados em petróleo agora preveem que o Brent logo ultrapassará a marca de US$ 100 por barril.

“Essa não é mais uma previsão tão ousada”, disse Livia Gallarati, analista de mercados de petróleo da Energy Aspects. “Os preços vão subir persistentemente. A oferta está fundamentalmente limitada.”

Estratégias de corte na produção são arriscadas, porque um grande produtor de petróleo pode perder participação de mercado para países concorrentes — e, se a redução não tiver sucesso em elevar os preços, ele também pode sofrer uma grande queda na arrecadação. A alta nos preços das fontes de energia também é impopular em Washington, pois pode trazer novas pressões inflacionárias para a economia dos EUA.

Os custos de produção são baixos na Arábia Saudita e na Rússia, de US$ 9,30 e de US$ 12,80 por barril, respectivamente, de acordo com estimativas da Rystad Energy relativas as 2022. Esse baixo custo permite que a maior parte da receita das exportações de petróleo possa ser convertida em lucro.

A alta nos preços é bem-vinda para a Arábia Saudita, que tem um passado de altos e baixos ligado às oscilações do mercado de petróleo e, em parte, como resultado disso, um histórico ambíguo na concretização de grandes projetos desenvolvimento.

O país tem elevado os investimentos em bens de capital. No primeiro semestre de 2023, gastou 37% a mais em despesas de capital do que no mesmo período do ano anterior, segundo a Capital Economics. Já foram iniciadas as obras para o megaprojeto de US$ 500 bilhões da nova cidade-Estado de Neom, para 2030, planejada para ser do tamanho de Massachusetts.

Para que o orçamento de Riad fique em equilíbrio, a cotação do barril precisa estar em cerca de US$ 81, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) no início do ano. Se a Arábia Saudita continuar a ter dificuldade para atrair investimentos estrangeiros a projetos como o Neom, o preço de equilíbrio poderia ser ainda maior, próximo a US$ 100, segundo analistas.

A Rússia, por sua vez, incorre em gastos pesados com a guerra na Ucrânia. No primeiro trimestre, os gastos aumentaram 35%, o equivalente a cerca de 2 trilhões de rublos russos, cerca de US$ 20,7 bilhões, em comparação ao mesmo período de 2022, de acordo com a Oxford Economics. O governo está com déficit orçamentário desde meados de 2022.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Tanto sauditas quanto russos têm interesse na derrota do presidente democrata Joe Biden nas eleições do ano que vem para o republicano Donald Trump
Ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump é derrotado em apelação na Justiça e corre risco de perder empresas e propriedades
Pode te interessar