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Mundo A Argentina decreta toque de recolher para evitar nova quarentena

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Governo prepara um toque de recolher noturno, com fechamento de bares e restaurantes, e quer limitar o transporte público e a circulação de pessoas. (Foto: Reprodução)

Se no ano passado a Argentina implementou a quarentena mais longa do mundo, agora, em meio a uma segunda onda da pandemia que especialistas consideram mais preocupante do que a primeira, o governo de Alberto Fernández está política e socialmente impossibilitado de decretar um lockdown rigoroso.

Depois de amargar uma queda de 10% do PIB no ano passado, o país adotou nesta quarta-feira (7) novas medidas, incluindo um toque de recolher, para tentar conter a transmissão do coronavírus – incluídas as variantes de Manaus e Reino Unido – sem castigar ainda mais a economia.

O presidente — que confirmou, no fim de semana, ter contraído o vírus —  optou por uma resposta intermediária, que possa ser digerida por uma sociedade que também precisa assimilar uma taxa de pobreza que passou de 35% para 42% entre 2019 e 2020.

“A Argentina entrou na segunda onda. Só nos últimos sete dias, os casos aumentaram 36% em todo o país e 53% na área metropolitana de Buenos Aires”, disse o presidente em pronunciamento pela TV da residência oficial de Olivos, onde está isolado. “Assim como lhes pedi há um ano que ficassem em suas casas enquanto montávamos um sistema de saúde abandonado, hoje lhes peço a máxima atenção aos cuidados sanitários, de modo que possamos avançar no processo de vacinação.”

Além do toque de recolher, foram suspensas as viagens em grupo, as festas em casas particulares e as reuniões de mais de 20 pessoas em espaços públicos. Arenas esportivas, discotecas e salões de festa serão fechados. A prática de esportes em lugares fechados não poderá reunir mais de 10 pessoas.

Bares e restaurantes terão que fechar às 23h. As escolas continuarão abertas, e, na região metropolitana de Buenos Aires, o transporte público será reservado a trabalhadores de atividades essenciais e à comunidade educacional.

O número de óbitos no país passa de 56 mil, enquanto foram vacinadas apenas 3,7 milhões de pessoas com pelo menos a primeira dose, de um total de 45 milhões de habitantes — ou seja, 8,21% da população. No Brasil, essa taxa é de 8,37%.

O risco, disse o médico Roberto Debbag, vice-presidente da Sociedade Latino-americana de Infectologia Pediátrica, é de que a Argentina seja cenário de “um furacão de covid-19”.

“A segunda onda, que pode virar um furacão, já está em marcha. As restrições à circulação são nossa única arma no momento, porque a população não aceitará uma nova quarentena prolongada”, diz o infectologista.

Ele e outros médicos consultados confirmaram que, em muitos hospitais particulares de Buenos Aires, os CTIs para pacientes com covid-19 já estão lotados. Nos últimos meses, os argentinos afrouxaram drasticamente as medidas de isolamento social. A mídia local noticiou a realização de festas com mais de 500 pessoas, viagens de fim de curso para o exterior sem qualquer tipo de controle, férias e feriados nas praias do litoral da província de Buenos Aires como se não houvesse pandemia.

O cenário é crítico e levou a ministra da Saúde, Carla Vizzotti, a afirmar recentemente que o país precisa “de medidas intensivas, transitórias e oportunas, sem impactar no comércio e na produção, e da menor maneira possível na educação. A segunda onda é um fato”. Dias antes, o ministro da Economia, Martin Guzmán, admitira a gravidade da situação, mas também a inviabilidade de voltar a fechar tudo:

“Hoje a economia não suportaria uma quarentena.”

No ano passado, a taxa de desemprego alcançou 11%, depois de fechar 2019 em 8,9%. Trata-se do indicador mais alto desde 2004. Apesar da proibição de demitir funcionários que vigorou ao longo de todo 2020, dados oficiais mostram que 220 mil trabalhadores com carteira assinada ficaram desempregados. Hoje, 2,1 milhões de argentinos estão excluídos do mercado de trabalho.

Para completar o panorama desolador da Argentina, nos últimos seis meses, a taxa de inflação mensal ficou acima de 3,5%. Martin Tetaz, professor e pesquisador da Universidade Nacional de La Plata, explica que, fazendo uma projeção, o país vive com uma inflação de 60% ao ano.

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