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Copa do Mundo 2026 Espanha e Argentina farão uma das finais mais politizadas que essa Copa poderia ter

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As relações entre Espanha e Argentina estão entre as mais tensas dentre os países que estiveram nesta Copa. (Foto: GAI Media)

Uma final entre Estados Unidos e Irã teria sido pior, mas era impossível. Entre os favoritos, Argentina x Espanha farão uma das finais mais politizadas que esta Copa poderia ter. Um torneio que, desde o início, foi marcado pela politização e pela atuação controversa do presidente Donald Trump, cuja relação com os dois finalistas vai de um extremo ao outro.

A Inglaterra é o rival histórico da Argentina, por conta da guerra entre os dois países, em 1982, pelo controle das ilhas Malvinas. Mas, atualmente, as relações entre Buenos Aires e Madrid estão entre as mais tensas dentre os países que estiveram nesta Copa.

O embate recente é ideológico e pessoal entre os líderes dos dois países, o presidente Javier Milei (de direita) e o primeiro-ministro Pedro Sánchez (de centro-esquerda). Em maio de 2024, Milei participou de um evento do partido Vox (direita) em Madri. A viagem já era incomum, pois ele não se encontrou nem com o premiê nem com o rei da Espanha, país que é o segundo maior investidor externo na Argentina.

No evento, Milei chamou a esposa de Sánchez de “corrupta”. Ela era investigada à época e hoje enfrenta um processo na Espanha por tráfico de influência e desvio de fundos. Mas não foi condenada ainda. A acusação de Milei violou práticas diplomáticas elementares na relação entre líderes.

O governo espanhol afirmou que a declaração era “gravíssima” e “inaceitável” e exigiu um pedido de desculpas. Milei se recusou, e Madri retirou a sua embaixadora de Buenos Aires, afirmando que o argentino semeava o ódio.

Dois meses depois, novamente em Madri, Milei chamou Sánchez de “bandido local” e gritou “morte ao socialismo”. O premiê espanhol é líder do Partido Socialista Operário Espanhol (Psoe), que, apesar do nome, é social-democrata, não socialista. Na visão política de Milei, os adversários de esquerda são inimigos a serem destruídos, e não uma parte legítima da vida pública.

Após meses de turbulência, as relações diplomáticas se normalizaram em outubro de 2024, com a indicação de um novo embaixador espanhol para Buenos Aires. Mas o estrago nas relações políticas estava feito. Milei e Sánchez nunca se reuniram, apesar de liderarem dois países com profundas ligações.

Além do conflito direto, Espanha e Argentina estão em polos opostos na relação com o presidente Trump.

Os líderes argentino e americano são próximos ideologicamente. Milei fez 16 viagens aos EUA desde que assumiu e esteve várias vezes com Trump. Washington aplicou à Argentina a menor sobretaxa comercial do tarifaço, de 10% (contra 50% ao Brasil, que agora se tornaram 25%). Е também ampliou de 20 mil para 100 toneladas métricas a quota de carne argentina que pode entrar nos EUA, num raríssimo gesto de abertura comercial. Além disso, Trump socorreu Milei às vésperas das eleições legislativas de 2025, com um empréstimo de US$ 20 bilhões. Isso evitou uma crise de balanço de pagamentos na Argentina, que poderia ter resultado numa derrota eleitoral. Graças ao apoio de Trump, a moeda argentina se estabilizou, e o partido de Milei venceu as eleições.

Já a relação de Trump com Sánchez é das mais tensas no bloco ocidental. O premiê espanhol, como fizeram outros líderes europeus, recusou apoio aos EUA na guerra com o Irã, mas Sánchez foi o mais vocal contra o conflito. Seu slogan, “no a la guerra”, viralizou e enfureceu Trump, que ameaçou cortar toda a relação comercial com a Espanha.

“A Espanha é uma causa perdida. Não queremos mais fazer negócios comerciais com a Espanha”, reiterou Trump em junho. “A Espanha é um parceiro terrível na Otan. Eles não participam, não pagam. Não quero ter nada a ver com a Espanha. Cortem todo o comércio com a Espanha, incluindo visitas”, completou. Como costuma acontecer, a ameaça não se materializou, até porque implicaria uma guerra comercial com a União Europeia.

Trump e Sánchez têm ainda posições opostas sobre imigração. Enquanto o premiê espanhol busca facilitar a entrada de imigrantes na Espanha e a legalização daqueles em situação irregular, Trump fechou as fronteiras americanas e vem realizando uma agressiva campanha para exportar a sua política anti-imigração para a Europa. Chegou a associar o declínio europeu à imigração, que poderia causar um “apagamento civilizacional” no continente.

Trump e Sánchez se encontrarão na final neste domingo, o que pode gerar constrangimento para o presidente americano. O premiê espanhol mudou de ideia, já que a informação inicial era de que ele assistiria a final de casa, assim como Milei. Curiosamente, a Casa Branca não confirmou se o presidente americano entregará o taça ao campeão. Em junho, Gianni Infantino, presidente da Fifa, disse que ele e Trump fariam a entrega. No ano passado, Trump entregou o troféu ao Chelsea, vencedor do Mundial de Clubes. (Com informações do Valor Econômico)

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