Sábado, 15 de Agosto de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
17°
Mostly Cloudy

Capa – Caderno 1 As bactérias tóxicas ligadas ao calor obrigam a interdição de mais de 50 praias na Polônia

Compartilhe esta notícia:

O Mar Báltico vive neste verão a floração mais elevada de cianobactérias da última década. (Foto: Reprodução)

As autoridades da Polônia proibiram o banho em mais de 50 praias no mar Báltico devido à elevada presença de cianobactérias, a mais alta na última década deste organismo tóxico, que tem presença cada vez mais comum no litoral do país graças ao aumento das temperaturas.

Nos últimos dias, os socorristas de muitas praias polonesas proíbem terminantemente o banho nas águas do Báltico por causa do risco para a saúde provocado por estas bactérias, embora não seja necessário que façam com muita veemência porque a cor esverdeada e a textura espessa das águas onde crescem as colônias de cianobactérias já tornam pouco aprazível um mergulho de cabeça.

“A cada ano faz mais calor e vemos como esta situação ocorre, infelizmente, mais comum”, explicou à Agência Efe um socorrista em Sopot, a cidade litorânea mais popular da Polônia, com dois milhões de turistas anuais, onde neste verão foi limitado o banho em várias praias pela presença de cianobactérias.

As temperaturas registradas no norte do país durante os últimos dias, superiores aos 30ºC, fizeram com que a água ficasse mais quente do que o normal (em alguns casos acima dos 22 graus), o que favoreceu a aparição de colônias destas bactérias.

As autoridades de saúde regionais insistem que, embora a água esteja limpa e não existam problemas por causa de vazamentos, o contato com a bactéria pode causar alergias e problemas cutâneos, ao mesmo tempo que beber água contaminada pode causar problemas digestivos graves.

O Mar Báltico vive neste verão a floração mais elevada de cianobactérias da última década, e também foram detectadas florações em alguns lagos e açudes interiores, como o reservatório de Zegrze, perto de Varsóvia, muito popular para praticar vela.

A floração maciça de cianobactérias – capaz de realizar a fotossíntese – são fenômenos naturais no ecossistema de águas marinhas ou interiores, que se produz quando coincidem vários fatores: o citado aumento na temperatura, a estagnação e a falta de nutrientes nas águas, a escassez de vento e uma elevada irradiação solar.

Nas florações, as cianobactérias se apresentam em grandes massas flutuantes na água, de cor parda/marrom esverdeada, de aspecto oleoso, formando natas e ocasionalmente espumas, que pelo seu aspecto podem ser confundidas com águas residuais, embora não tenha nada a ver.

Pode ocorrer um quadro de irritação leve com dermatite por contato, por isso que as autoridades sanitárias polonesas recomendam não se banhar nos locais de floração, mas em outra região do mesmo litoral na qual não haja cianobactérias.

“Estas moléstias podem aparecer imediatamente ou dias depois de se banhar onde florescem as cianobactérias tóxicas”, explicou a Inspeção Sanitária Polonesa em seu site, onde alerta que, embora “não sejam registradas em muito tempo mortes de seres humanos por estas bactérias, os problemas para a saúde foram em algumas ocasiões muito graves”.

“Temos que nos acostumar e familiarizar com as cianobactérias, que vão fazer parte de cada verão enquanto não mudarem as condições meteorológicas”, lamentou Marek, proprietário de uma cafeteria em Sopot, que teme que se a situação piorar, acabará respingando no turismo em um local que a cada verão fica lotado de visitantes.

Por enquanto as previsões não são muito boas, já que está previsto que as altas temperaturas continuem na Polônia até pelo menos meados de agosto, o que favorecerá o surgimento de mais colônias de cianobactérias no litoral e lagos do país.

Print Friendly, PDF & Email

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Capa – Caderno 1

O partido Novo confirma João Amoêdo como candidato a presidente da República
O plano do PT de retirar do Supremo o pedido de habeas corpus para Lula e evitar a discussão antecipada sobre possível candidatura pode encontrar resistência entre os ministros do Tribunal
Deixe seu comentário
Pode te interessar