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Política As tensões que antecederam a convenção de Flávio Bolsonaro em São Paulo

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A relação entre senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), passa por um de seus piores momentos. (Foto: Reprodução)

A relação entre senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), passa por um de seus piores momentos. Segundo um interlocutor de ambos, o ressentimento está próximo de virar um fato público. É que o filho de Jair Bolsonaro avalia, segundo esse interlocutor, que Tarcísio poderia se envolver mais na campanha e demonstrar mais apoio ao projeto idealizado pelo ex-presidente.

Para Flávio, além de não se empenhar na pré-campanha, Tarcísio tem piscado para adversários, como Ronaldo Caiado, e dado declarações que não ajudam o Zero Um nessa pré-campanha.

Como tudo no bolsonarismo, porém, é possível que a convenção partidária deste fim de semana sirva para aplacar algumas crises ou, pelo menos, oferecer imagens que tornem o ambiente menos tenso.

Mais pressão

Em outra frente, a paz selada entre o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) na última quinta-feira (23), após um barulhento afastamento, vai colocar mais pressão sobre Tarcísio de Freitas, outro nome considerado um cabo eleitoral importante para o bolsonarismo nas próximas eleições.

Considerada fundamental para atrair o eleitorado feminino (onde Flávio tem muitas dificuldades) e fortalecer o segmento evangélico (um dos principais redutos do bolsonarismo), Michelle tinha aberto uma crise na campanha ao publicar um vídeo em que acusava o enteado presidenciável de tê-la desrespeitado – Flávio gravou um vídeo na quinta-feira pedindo desculpas, e a ex-primeira-dama gravou outro aceitando a retratação.

Além do apoio de Michelle, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, considera que Flávio só vencerá a eleição se tiver o engajamento de outros dois cabos eleitorais decisivos: o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e Tarcísio.

Com o “cachimbo da paz” entre Flávio e a madrasta, vai crescer a pressão para que Tarcísio se engaje com mais ênfase na campanha bolsonarista – algo pelo qual ele é cobrado desde o início da pré-campanha – e para que se esforce para levar o seu partido, o Republicanos, para uma aliança formal com a candidatura do PL.

Na reta final para o fim do prazo das convenções partidárias, no dia 5 de agosto, Flávio corre contra o tempo para tentar fechar o apoio do Republicanos, aparentemente o único dos grandes partidos do Centrão que ainda não rejeitou a adesão formal ao projeto bolsonarista. O pré-candidato chega a sua convenção, neste sábado, 25, sem ter nenhum partido ao seu lado além do PL.

Nos últimos dias, com o PP e o União Brasil dando sinais claros de que ficarão independentes na corrida presidencial, restou a Flávio tentar fechar com o Republicanos para ter, inclusive, alguma opção de candidato a vice – a favorita é a economista Daniella Marques, filiada à sigla – e não ter que ir para a disputa com uma chapa puro-sangue, com dois nomes do PL.

Tarcísio é uma das maiores lideranças do partido e o seu principal nome nas urnas neste ano, já que é favorito a obter um segundo mandato no maior colégio eleitoral do país. Além disso, é coordenador da campanha de Flávio no estado e será uma das estrelas da convenção deste sábado.

Mas a sua missão não é fácil. O presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira, disse que vem consultando as bases da legenda e que a disposição da maioria hoje é de seguir independente, inclusive porque em alguns estados -especialmente no Nordeste – a sigla depende de uma proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Outro problema é a pouca disposição do PL para aceitar apoiar candidatos do Republicanos ao governo em alguns estados, como Mato Grosso do Sul e Roraima, hoje governados pela sigla do Centrão. As informações são da revista Veja.

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