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Brasil As transmissões ao vivo pelo Facebook perderam espaço na rotina virtual de Bolsonaro

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Bolsonaro tem 10,8 milhões de seguidores no Facebook, 3,95 milhões no Twitter e 11,3 milhões no Instagram. (Foto: Reprodução/Facebook)

O período de transição que acaba no próximo dia 31 confirmou que as redes sociais terão papel central no anúncio de decisões do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Foi pelo Twitter e para os seus 2,6 milhões que ele anunciou 14 das 22 indicações de seus ministros e também fez as primeiras declarações sobre momentos-chave dos últimos dois meses, como a saída de Cuba do programa Mais Médicos e a visita do assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton.

As transmissões ao vivo pelo Facebook, por outro lado, perderam espaço na rotina virtual de Bolsonaro. Diferentemente das quase seis horas em que permaneceu ao vivo durante a campanha (entre 31 de agosto e 28 de outubro), Bolsonaro apareceu para dialogar com os seguidores por apenas 58 minutos entre o fim do segundo turno e o dia 19. No Twitter, porém, publicou cerca de 150 mensagens em 50 dias de transição — média de três tuítes por dia.

O impacto foi expressivo: em dois meses, foram cerca de 1,4 milhão de reações aos nomes indicados (somados os números de respostas, retuítes e curtidas angariados por Bolsonaro em 14 publicações diferentes).

A maior repercussão no Twitter foi do ex-juiz federal Sérgio Moro, indicado para a Justiça, cuja nomeação publicada pelo presidente totalizou 266 mil interações (entre elas, 208 mil curtidas — o recorde na conta do eleito).

Para o professor Marco Aurelio Ruediger, diretor de Análise de Políticas Públicas da DAPP-FGV (Fundação Getúlio Vargas), o uso que Bolsonaro faz das redes hoje é uma continuidade do hábito que desenvolveu desde que se apresentou como candidato do Planalto.

“Não existe razão alguma que o leve a abrir mão dessa capacidade de mobilizar a sociedade para temas que são de interesse do governo, sejam políticas públicas em geral ou debates genéricos. Vai ser um elemento forte. O Congresso sentirá essa pressão.” Ruediger destaca que a comunicação parece ser feita de “forma natural e orgânica”.

“Traduz uma relação do cidadão com o dia a dia, longe das superproduções. O cidadão de hoje é muito desconfiado, então, quanto mais simples e rápida a comunicação, mais eficaz ela será.”

Páginas de direita

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) usou o Facebook na noite deste sábado (22) para criticar a exclusão de páginas de direita na rede social. “É muito grave mais uma ‘rodada’ de exclusões de mais de 10 páginas de direita incluindo as de Paulo Eduardo Martins, Eder Borges e República de Curitiba pelo Facebook. A liberdade de expressão tem que ser respeitada, inclusive quando você é atacado e legalmente responde!”, escreveu Bolsonaro.

Pelo Twitter, a página República de Curitiba, uma das afetadas, agradeceu aos seguidores por seguirem a nova página criada por eles após a exclusão. “O Facebook apagou nossa página com 800.000 seguidores no face, mas não vamos desistir. Obrigado pelas centenas de mensagens de apoio e curtidas na nova página.”

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