Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 5 de agosto de 2017
No mesmo dia em que denunciou cerco de soldados da Guarda Nacional ao Ministério Público, a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Diaz, foi destituída de seu cargo. A decisão de tirar uma das principais opositoras do governo do ditador Nicolás Maduro foi tomada neste sábado (5) pela Assembleia Constituinte, em sua primeira sessão, após ser instalada na sexta-feira (4).
Ortega será substituída temporariamente pelo procurador público chavista Tarek William Saab. Ela tinha sido suspensa do cargo minutos antes por decisão da suprema corte, que vai julgá-la por irregularidades em seu cargo.
Mas Diosdado Cabello, poderoso dirigente do chavismo e membro da Constituinte, propôs ao plenário retirá-la definitivamente do cargo. “Diante do vazio inexorável que existe ali neste momento (…), proponho que seja removida de seu cargo a senhora Luisa Ortega Diaz, em vez de suspensa. Isso não é um linchamento pessoal, político, mas o cumprimento da lei”, apontou.
Ortega havia denunciado, pouco antes, que militares da Guarda Nacional tinham impedido sua entrada na sede do Ministério Público. “Isso é uma ditadura, as atrocidades que a Venezuela está vivendo, a repressão, não estão só detendo arbitrariamente as pessoas, mas processam elas com Justiça Militar, e ainda não deixam a procuradora-geral entrar na sede principal”, tinha dito à imprensa. A procuradora, que chegou e foi embora em uma moto escoltada, disse que vai continuar “lutando pela liberdade e pela democracia na Venezuela”.
“Continuar lutando pela conquista dos direitos humanos, garantir o respeito pela liberdade, porque neste país a liberdade está perdida.”
“Sabe o que querem com isso? (…) Querem também [esconder] a corrupção que há na Venezuela, esconder as provas de violações dos direitos humanos que aconteceram neste país”, acusou Ortega. Na sexta-feira, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que o governo de Nicolás Maduro não reconhece, anunciou a concessão de medida cautelar de proteção para Ortega, considerando que a sua vida e integridade “correm risco iminente de dano irreparável”. (Folhapress)
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