Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de novembro de 2021
A ANJ (Associação Nacional de Jornais), a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) repudiaram os episódios de agressões a jornalistas brasileiros que acompanhavam a viagem do presidente Jair Bolsonaro em Roma, na Itália. Bolsonaro viajou para a capital italiana para participar da cúpula do G-20. O evento terminou no domingo, mas o presidente tem agenda no país até esta terça-feira (2). Nesta segunda-feira (1°), Bolsonaro visitou a cidade de Anguillara Venetta, no Norte do país, onde recebeu o título de cidadão honorário.
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) também divulgou nesta segunda-feira uma nota de repúdio aos ataques dos seguranças a jornalistas
Em nota, a ANJ disse repudiar com “veemência e indignação as agressões sofridas por jornalistas brasileiros na cobertura das atividades do presidente Jair Bolsonaro em Roma. A violência contra os jornalistas, na tentativa de impedir seu trabalho, é consequência direta da postura do próprio presidente, que estimula com atos e palavras a intolerância diante da atividade jornalística. É lamentável e inadmissível que o presidente e seus agentes de segurança se voltem contra o trabalho dos jornalistas, cuja missão é informar aos cidadãos. A agressão verbal e a truculência física não impedirão o jornalismo brasileiro de prosseguir no seu trabalho. A ANJ espera que os atos de violência cometidos contra os jornalistas sejam apurados e os culpados, punidos. A impunidade nesse e em outros episódios é sinal de escalada autoritária”.
Já a Abraji afirma repudiar “mais esse ataque à imprensa envolvendo a maior autoridade do país. Ao não condenar atos violentos de seus seguranças e apoiadores a jornalistas que tão somente estão cumprindo seu dever de informar, o presidente da República incentiva mais ataques do gênero, em uma escalada perigosa e que pode se revelar fatal. Atacar o mensageiro é uma prática recorrente do governo Bolsonaro que, assim como qualquer outra administração, está sujeito ao escrutínio público. É dever da imprensa informar à sociedade atos do poder público, incluindo viagens do presidente no exercício do mandato. E a sociedade, por meio do art 5º da Constituição, inciso XIV, tem o direito do acesso à informação garantido”.
A ABI mencionou que repórteres da TV Globo e do jornal Folha de S.Paulo e um colunista do portal de notícias UOL foram à delegacia de polícia formalizar queixa das agressões praticadas pelos seguranças que acompanhavam a comitiva do presidente. “Foi, talvez, um acontecimento inédito. Mesmo assim, o senhor [Bolsonaro] e os demais membros de sua comitiva, aí incluídos representantes do Itamaraty, foram incapazes de uma palavra de desculpa aos profissionais que estavam apenas trabalhando. Ao contrário, continuaram hostilizando os jornalistas brasileiros. A ABI mais uma vez faz o registro: com o seu comportamento avesso à democracia e com ataques constantes à imprensa e ao trabalho dos jornalistas, o senhor [Bolsonaro] estimula essas agressões. Assim, torna-se também responsável por elas. E, como numa bola de neve, elas só aumentam seu isolamento e o repúdio que o senhor recebe da comunidade internacional. Pior, o isolamento não é só seu. Atinge e envergonha o país que o senhor representa. O senhor está tornando o Brasil um pária na comunidade internacional, presidente. Tenha compostura”, diz a carta aberta a Bolsonaro, assinada pelo presidente da ABI, Paulo Jeronimo.
Já a nota da OAB diz: “O Conselho Federal da OAB, por meio de sua Comissão de Liberdade de Expressão, repudia ataques dos seguranças do presidente aos jornalistas que cobriam sua passagem em Roma. Lamentável que incidentes como esse ocorram, refletindo uma postura frequente de desrespeito ao trabalho dos profissionais de imprensa”, afirma o comunicado assinado por Felipe Santa Cruz, presidente da OAB Nacional, e por Pierpaolo Bottini, presidente da Comissão de Liberdade de Expressão da OAB Nacional.
No último domingo (31), ao menos cinco equipes de reportagem relataram agressões durante a cobertura de um dos passeios do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em Roma.
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