Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de janeiro de 2021
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já recebeu o pedido de autorização para uso emergencial da CoronaVac e da vacina AstraZeneca/Oxford, produzidas no Brasil pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz, respectivamente.
A expectativa é que a resposta do órgão saia neste domingo (17) e a vacinação comece no quarta-feira (20). Veja tudo o que se sabe até o momento sobre as duas vacinas que estão em processo de aprovação.
Um estudo publicado na revista científica Lancet aponta que a eficácia geral da vacina da AstraZeneca/Oxford é de 70%. Já o Instituto Butantan, que vai produzir a CoronaVac, anunciou a eficácia geral de 50,38% no Brasil. Esta taxa variou em outros países.
Expectativa de produção própria
A proposta da Fiocruz, que produzirá a vacina no Brasil, é entregar 100,4 milhões de doses até o final do primeiro semestre de 2021. No segundo semestre, a produção passará a ser 100% nacional na Fundação e mais 110 milhões de doses serão entregues ao Ministério da Saúde, totalizando cerca de 210 milhões de doses durante todo o ano.
Já o Instituto Butantan afirma que produzirá 1 milhão de doses da vacina por dia, e a expectativa é dobrar a produção a partir de maio, quando a unidade espera já ter entregue todas as vacinas contra a influenza que fabrica, destinando, assim, todos os seus esforços para a CoronaVac.
Grupos prioritários
A vacinação é dividida em fases que levam em conta critérios como atividades de risco, idade, comorbidades, entre outros. Saiba qual é o seu lugar na fila da vacina.
Fase 1: Trabalhadores de Saúde, pessoas acima de 75 anos, pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas (em asilos ou casas de repouso) e indígenas.
Fase 2: Pessoas acima de 60 anos.
Fase 3: Pessoas com comorbidades como diabetes mellitus; hipertensão; doença pulmonar obstrutiva crônica; doença renal; doenças cardiovasculares e cerebrovasculares; indivíduos transplantados de órgão sólido; anemia falciforme; câncer; obesidade grave (IMC≥40).
Fase 4: Professores, nível básico ao superior, forças de Segurança e Salvamento, funcionários do sistema prisional.
O Ministério da Saúde incluiu no plano de vacinação como grupos prioritários os povos e comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas, as pessoas com deficiência permanente severa e a população privada de liberdade, mas não explicou em qual fase de vacinação serão incluídos.
Acordos
O Ministério da Saúde fechou um acordo inicial para a produção de 30,9 milhões de doses da vacina contra covid-19 pela Fiocruz, incluindo a transferência de tecnologia para que a fundação produza sozinha as doses do imunizante. O acordo com o Instituto Butantan é para receber 46 milhões de doses da CoronaVac até abril e mais 54 milhões até o fim do ano, totalizando 100 milhões.
Armazenamento
Os dois imunizantes podem ser armazenados entre 2 e 8°C, ou seja, ambos podem ser guardados em uma geladeira comum.
Como funcionam
Vetor Viral: tecnologia aplicada em vacinas que usam um outro vírus para introduzir genes do coronavírus nas células. Equipes adicionaram o gene da proteína espícula (spike) num adenovírus, que naturalmente infecta macacos. O vírus foi, então, geneticamente alterado para não se multiplicar, mas ele ainda é capaz de penetrar nas células humanas e descarregar as instruções genéticas para produzir proteínas do Sars-CoV-2. Estas são “exibidas” ao sistema de defesa, que, em resposta, produz anticorpos. Essa tecnologia nunca foi usada em seres humanos, mas já é empregada para imunizar animais contra raiva e cinomose. As vacinas de AstraZeneca/Oxford, Janssen/Johnson & Johnson e a Sputnik V usam essa tecnologia.
Vírus inativo: A maioria das vacinas em uso atualmente utiliza formas inativadas de vírus. A estratégia é simples: o vírus inativo não pode se replicar e causar doença, mas sua presença ativa o sistema imunológico, que passa então a produzir defesas, anticorpos e memória celular. As vacinas convencionais para outros vírus como influenza, varicela, sarampo, caxumba e rubéola utilizam esse tipo de tecnologia. A CoronaVac também é feita dessa forma.
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