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Esporte Audiência na Câmara discute retorno do futebol em meio à pandemia

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Jornalistas e CBF discordam quanto à volta da prática desportiva.

Foto: Fernando Torres/CBF
Jornalistas e CBF discordam quanto à volta da prática desportiva. (Foto: Fernando Torres/CBF)

Jornalistas e profissionais ligados ao futebol debateram nesta quarta-feira (19), na Câmara dos Deputados, o retorno dessa prática desportiva, em meio à pandemia de coronavírus. De um lado, dirigentes e representantes de clubes apontando os protocolos adotados como seguros; de outro, jornalistas afirmando que o retorno demonstra que o interesse econômico está prevalecendo.

O secretário-geral da Confederação Brasileira de Futebol, Walter Feldman, informou que foi assinado um contrato de direitos internacionais que possibilitará a exibição das Séries A e B do campeonato brasileiro para 84 países, e que, por isso, “recursos internacionais entrarão” no País por conta do futebol. Segundo ele, esses recursos serão obtidos da forma mais segura possível, uma vez que tem por base decisões técnicas conjuntas que incluem um “protocolo médico, com estudos de mais de 140 médicos para conceber aquilo que significasse retorno com segurança e responsabilidade em saúde para todos”, e um relatório que foi aprovado por Ministério da Saúde e por entidades de profissionais da saúde.

“Tivemos alguns casos importantes, como Goiás e CSA [que tiveram parte de seus elencos contaminados pelo Covid-19], mas todos foram trabalhados com muita responsabilidade e com a segurança máxima”, disse o secretário da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). De acordo como diretor-médico da CBF e coordenador do protocolo nacional, Jorge Pagura, além de ouvir 143 médicos para montar o protocolo, a entidade fez seis consultorias com infectologistas. “Temos ainda consultoria permanente. Assim conseguimos aliar todos profissionais de clube com profissionais da ciência, que são os que decidem os impasses, porque em medicina sempre temos casos que são passíveis de discussão”, disse o representante da CBF.

Entre as medidas adotadas citadas pelo médico da CBF está a “ampla programação de testagem”. Ele explicou que o protocolo adotado tem cinco fases: de testagem, de treinos individuais; treinos coletivos; competição; e acompanhamento, que é o que está sendo feito já com o campeonato brasileiro em andamento. “Poucos municípios fizeram o número de testagem que fizemos”, disse Pagura, ao informar que antes de o campeonato começar foram aplicados 1.300 testes para detectar Covid-19, resultando em 74 resultados positivos, o que dá uma média de 5,69% de infectados.

Na segunda rodada foram 1.400 testes. Destes, 1,8% teve resultado positivo. E na terceira rodada foram quase 1.500 testes, dos quais cerca de 1% (16 casos) tiveram resultado positivo para o vírus. “Isso representa uma queda de 5,69% para cerca de 1%”, argumentou.

Segundo ele, um dado muito importante foi o de que “não houve [até o momento] nenhum indício de contaminação de atleta durante o jogo”.

Jornalistas criticam postura de dirigentes

“Realmente estamos vivendo tempos muito estranhos”, disse o jornalista Juca Kfouri ao iniciar sua fala lamentando o fato de não ter ouvido, de nenhum dos participantes, qualquer menção sobre os 110 mil mortos no Brasil em decorrência do novo coronavírus.

“Parece que participo de uma comissão na Finlândia. Tudo róseo, como se tudo estivesse bem; como se fôssemos um exemplo, e não um epicentro dessa doença. Vivemos uma situação de normalização da morte”, ressaltou o jornalista esportivo.

Segundo ele, é “evidente” que a situação agrava o problema dos clubes de futebol do País. “Mas é importante salientar que não é este o problema da maioria esmagadora de nossos clubes. Eles já vinham assim, como vinha também a economia brasileira. Estamos vivendo os tempos das mentiras e dos sofismas”, disse. “Achamos um absurdo pensar em paralisar o futebol no Brasil, quando as Olimpíadas, que é o maior evento esportivo do planeta, foi adiado por um ano com todos os prejuízos que isso significa”, acrescentou.

Ele citou, ainda, os casos do CSA, time que “foi obrigado a jogar tendo uma porção de jogadores contaminados”, e o do Ypiranga, do Rio Grande do Sul, que ao chegar em Santa Catarina, após 11 horas de viagem parando em restaurantes na estrada, soube que os testes feitos tinham dado a contaminação de seis atletas.

“A Argentina até agora não voltou ao futebol. Autorizou essa semana a volta aos treinamentos. A Argentina tem 6 mil mortos e 300 mil casos. O Brasil tem 110 mil mortos e mais de 3 milhões de casos. E nossos atletas estão em voos de carreira de norte a sul; de leste a oeste, não só se expondo como expondo outras pessoas a serem contaminadas. Então me parece que estamos fazendo uma brincadeira mórbida e trágica com a vida das pessoas porque a economia não pode parar; porque os direitos de transmissão têm de ser pagos; e porque os patrocinadores estão reclamando”, acrescentou.

Para o jornalista Gilson Ricardo, os campeonatos de futebol no Brasil começaram precipitadamente e seus protocolos são visivelmente desrespeitados até na comemoração dos gols, quando os jogadores se abraçam. “Além disso há torcedores fora do estádio acompanhando os jogos [de forma coletiva]”, acrescentou.

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