Segunda-feira, 14 de Junho de 2021

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Variedades Autor de ‘Milla’ entra com ação por danos morais e materiais contra Carla Zambelli por vídeo de Netinho

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Carla Zambelli divulgou foto com cantor Netinho em ato na Paulista. (Foto: Reprodução/Instagram)

Manno Góes, compositor de “Milla”, entrou com uma ação na Justiça da Bahia contra a deputada Carla Zambelli (PSL-SP). Ele pede indenização por danos morais e materiais pelo uso da música em um vídeo que mostra Netinho cantando o refrão em um ato pró-Bolsonaro.

Tudo começou quando a deputada filmou Netinho cantando a música na Av. Paulista, em São Paulo, no dia 1º de maio. O autor da música, Manno Góes, não autoriza o uso da canção – e notificou a deputada para tirar o vídeo do YouTube.

A deputada não tirou o vídeo, e o compositor pede na ação protocolada na noite desta sexta-feira (7): A retirada imediata do vídeo com a música do YouTube, sob pena de R$ 5 mil por dia; R$ 100 mil por danos materiais pelo uso da música, que deveria ter sido licenciado pelo autor previamente; Mais R$ 100 mil de indenização por danos morais por usar a música do compositor “com vinculação forçada à ideologia e figura política da ré (Carla Zambelli) sem que sequer fosse lhe dada a oportunidade de opinar ou negar a utilização de sua composição”.

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A manifestação no sábado teve aglomeração e pedido de intervenção militar. Em cima do trio, diante do público com faixas como “Nós te autorizamos, presidente”, Netinho entoou o refrão da música que ficou famosa na década de 1990 na sua voz: “Ô Mila, mil e uma noites de amor com você / Na praia, no barco, no farol apagado…”

No sábado, Manno Góes escreveu no Twitter: “Netinho ontem cantou Milla no ato em que pessoas brancas, na Paulista, gritavam ‘eu autorizo’, para Bolsonaro. Autorizam o quê? Golpe militar? Portanto, eu não autorizo esse débil mental de cantar minha música.”

No domingo (2), Manno enviou uma notificação extrajudicial para que Carla Zambelli tire o vídeo do ar. “Eu não posso proibir ninguém de cantar uma música minha. O que o autor tem direito é de impedir de que essa música esteja vinculada com uma forma de divulgação que ele não concorde”, diz o compositor ao G1.

A deputada na segunda-feira (3) que está analisando a notificação com seus advogados e “pensando” no caso por causa do post que ela classifica como “deselegante” no Twitter. “Eu estou pensando duas vezes em tirar esse vídeo e pensando sinceramente, em, entre aspas, ‘ir para o pau’. Porque a forma como ele tratou o Netinho me incomodou muitíssimo”, diz a deputada. Netinho não quis comentar o caso.

Manno Góes já fez parte da banda Jammil e é autor de diversos sucessos do axé, como “Praieiro”, “Acabou” e “Milla”, composta em parceria com Tuca Fernandes e gravada por Netinho em 1996. Ele diz que não quer barrar Netinho de cantar a música em sua carreira.

“Não é censura. Ele não está impedindo de fazer shows e tocar música para seus fãs. O que não pode é utilizar uma obra com finalidade política. Para isso há uma necessidade de autorização”, diz o advogado de Manno, Rodrigo Moraes.

“O que a deputada Carla Zambelli faz é lastimável: uma pessoa que, mesmo que notificada, continua com o vídeo. Uma parlamentar que é a primeira a rasgar a lei de direitos autorais”, diz o advogado.

Carla Zambelli diz que pensa em manter o vídeo no ar, e critica o uso do termo “débil mental”. “Não se trata ninguém dessa forma. Eu não trato nem meus inimigos dessa forma. Então talvez eu não atenda o pedido dele e espere ele me acionar na Justiça. Aí a gente vê como a gente resolve”, diz a deputada.

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