Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 20 de dezembro de 2016
A Comissão da Caridade, o órgão do governo britânico que registra e fiscaliza organizações de beneficência, determinou que o Jediísmo — a adoração da mitologia dos cavaleiros de Jedi da série de filmes “Star Wars” — não é uma religião. O departamento rejeitou um pedido que daria status de instituição de caridade ao Templo da Ordem de Jedi.
A decisão afirma que “o Jediísmo não promove melhorias éticas ou morais” especificadas na legislação que regula esse tipo de instituição na Inglaterra e no País de Gales. Além disso, justifica que o movimento “não possuía os elementos espirituais e não seculares” que fundamentam uma religião.
Segundo o órgão, não há provas suficientes de que a “melhora moral” estaria no centro das convicções e práticas do Jediísmo, além de não haver “coerência, coesão ou seriedade”, característicos de um verdadeiro sistema de crenças.
Para ser classificada como uma religião, esclarece a comissão, seria necessário comprovar os impactos positivos na sociedade em geral e, na percepção do órgão, o Jediísmo pode ter um foco interno, concentrado em seus próprios membros.
Dados do censo de 2011 revelam que 177 mil pessoas se declaram jediístas quando questionadas sobre sua religião, o que a tornaria a sétima mais popular na região.
Tudo começou como uma resposta irônica de alguns ateus no censo de 2001 do Reino Unido — a pergunta sobre crença religiosa foi incluída pela primeira vez naquele ano. Por causa disso, 390 mil pessoas se disseram “seguidoras da Força”.
Mas enquanto alguns apenas ironizavam, outros decidiram levar a sério as mensagens de “Star Wars” e propuseram construir um sistema de crenças e um código religioso inspirado na franquia de filmes.
E, embora o número de adeptos tenha caído no decorrer do tempo por causa da queda da popularidade da “pegadinha”, o Jediísmo tem mais seguidores que os rastafáris e os jainistas no Reino Unido, de acordo com os dados do censo de 2011.
Segundo o líder da Igreja do Jediísmo no Reino Unido, Daniel Jones, os Jedis vão continuar a fazer trabalhos de caridade mesmo sem o status legal. Ele afirmou ainda estar convencido que o movimento mudará de status em cinco anos, conquistando o título de religião.
Para Kenneth Dibble, consultor jurídico-chefe da Comissão de Caridade, “a lei relativa ao que é e não é uma caridade evolui continuamente e, como neste caso, pode ser influenciada por decisões em outras áreas. Nosso papel é crítico em interpretar e explicar o que a lei considera uma instituição de caridade”.
Os comentários estão desativados.