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Economia Banco Central afirma que é preciso manter a cautela para baixar juros; mercado vê taxa básica em 9% ao ano no final de 2024

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Se o nome de Galípolo for aprovado pelos senadores, ele ficará quatro anos à frente do Banco Central, uma instituição autônoma. (Foto: Reprodução/LinkedIn)

O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, disse que autoridades monetárias, assim como economistas, lidam com um paradoxo entre o desempenho positivo da atividade econômica e do mercado de trabalho e o processo de desinflação que mostra um bom comportamento. Segundo Galípolo, a correlação pouco usual entre essas variáveis explica a cautela atual dos bancos centrais nas decisões sobre baixar os juros.

“Tem muita novidade em como essas correlações vêm se apresentando no mundo. Por isso, é importante manter (a) cautela”, disse Galípolo durante transmissão ao vivo realizada pela Bradesco Asset de debate sobre os rumos da política monetária no País e no mundo. Segundo ele, as surpresas positivas são, talvez, a marca principal do momento da economia global.

“Não só fomos surpreendidos pela diferença entre o esperado e o que ocorreu (nos indicadores), mas também pela correlação pouco usual entre variáveis. Isso tem feito com que as autoridades monetárias estejam mais data-dependent”, disse.

Galípolo destacou também que, no caso brasileiro, a autoridade monetária se mostra afinada com o mercado. “O fato de termos demonstrado coerência na comunicação sobre o ritmo (de corte das taxas de juros) foi deslocando o debate no mercado sobre o que seria o juro terminal (ao final do ciclo de redução).”

Afrouxamento

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC iniciou um afrouxamento na política monetária em agosto do ano passado, quando a taxa básica de juros (Selic) estava em 13,75%. Na ocasião, houve um corte de 0,50 ponto porcentual, com a Selic passando a 13,25%. Desde então, houve mais quatro reduções com a mesma intensidade – hoje a taxa está em 11,25%.

Em comunicado após a última reunião, em janeiro, o colegiado manteve a sinalização de que o ritmo de corte de 0,50 ponto porcentual continua sendo o mais apropriado.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já defendeu que o tamanho dos cortes poderia ser maior, de 0,75 ponto porcentual. “É hora de cortar não mais meio, mas 0,75 (ponto porcentual) a Selic”, disse o ministro em setembro do ano passado em um evento da corretora XP.

Galípolo foi indicado para o BC pelo governo, que se queixava do que considerava uma morosidade da autoridade monetária em iniciar uma redução da taxa básica de juros. Ele era o número 2 do Ministério da Fazenda e assumiu o cargo no BC em julho de 2023.

Boletim Focus

Elaborado pelo BC com base na opinião de analistas do mercado, o último Boletim Focus, divulgado na quinta-feira, mostra que a estimativa para a Selic ao final deste ano é de 9%, patamar que se mantém estável há sete semanas. Há, porém, analistas mais cautelosos. “O Banco Central vai continuar cortando 0,50 ponto nas próximas duas reuniões, mas vai parar na de junho, com a Selic a 10%”, afirma o economista-chefe do Citi, Leonardo Porto (mais informações na pág. B2).

Galípolo afirmou que a atividade econômica brasileira tem registrado um bom desempenho, mas os preços estão estáveis. Ele também disse que o real, amparado por resultados positivos da balança comercial, apesar da desaceleração chinesa, apresentou bom comportamento mesmo nos momentos de maior volatilidade dos títulos americanos.

Para ele, apesar disso, assim como acontece em outros mercados, as surpresas e a correlação não usual entre desempenho econômico, mercado e inflação também exigem cautela do BC no Brasil.

Cenário externo

O diretor de Política Monetária disse ainda que os últimos dados da inflação nos Estados Unidos, mais altos do que o esperado, não afetaram as expectativas, assim como o plano do Banco Central para os juros no Brasil. Para ele, os números americanos acentuam a recomendação de o BC seguir a “trajetória de voo” com a “devida cautela”.

No final de janeiro, o Fed (o banco central dos EUA) manteve os juros do país inalterados, em uma faixa de 5,25% a 5,5% ao ano. A decisão foi unânime. A taxa é a maior desde 2001 e tem o objetivo de conter a inflação, que está em 3,1% no acumulado do ano até janeiro.

O mercado americano aposta que os cortes nas taxas de juros agora podem começar em maio, mas ainda há dúvidas de como a inflação vai se comportar, pois o mercado de trabalho local ainda está aquecido.

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