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Mundo Bolívia decreta quarentena e suspende eleição devido ao coronavírus

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Medida restringe severamente circulação de pessoas pelos próximos 14 dias

Foto: Reprodução
La Paz é uma das regiões onde vigora desde segunda-feira (01) uma quarentena flexível, embora ainda estejam suspensas as aulas nas escolas e universidades. (Foto: Reprodução)

O governo da presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, decretou neste sábado (21) quarentena por 14 dias no país, devido à pandemia do novo coronavírus. A medida, que passa a valer neste domingo (22), determina que apenas uma pessoa por família pode sair para fazer compras em centros de suprimento que abrirão diariamente até o meio-dia.

As fronteiras terrestres e aéreas do país também estão fechadas a partir deste sábado, e o transporte de passageiros entre departamentos bolivianos está limitado. Já a circulação de veículos públicos e privados está proibida. A única exceção é para aqueles que transportam suprimentos.

Os bolivianos que trabalham em serviços essenciais e aqueles escolhidos pelas famílias para comprarem alimentos e remédios precisarão apresentar documentação que os permita circular, em medida similar à tomada pela Argentina.

“Precisamos tomar decisões firmes para salvar vidas, para defender a saúde das famílias bolivianas”, disse Añez, em pronunciamento. A determinação foi uma resposta a líderes políticos, autoridades regionais, associações médicas e instituições do país que aumentaram seus pedidos para que o governo central aplicasse uma quarentena total para conter a pandemia.

Añez indicou que, nos próximos dias, serão ativadas várias ajudas aos cidadãos, como pagamento de bônus às famílias, redução das tarifas de serviços básicos e apoio financeiro a pequenas e médias empresas.

Por sua vez, os diretores do maior complexo hospitalar público de La Paz emitiram uma declaração relatando a falta de suprimentos para enfrentar a pandemia e de preparação do pessoal médico. Até este sábado, a Bolívia tem 19 casos confirmados e nenhuma morte.

Após o anúncio da quarentena, o Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia suspendeu a eleição presidencial marcada para 3 de maio. Daqui a 15 dias, a princípio fim do prazo do isolamento, o tribunal se reunirá mais uma vez para decidir se é possível realizar a votação na data provista ou se o pleito será adiado.

O tribunal afirma que a revisão será feita de acordo com a evolução da quarentena decretada pelo Poder Executivo. Uma fonte da chancelaria boliviana afirmou à Folha que esta foi a maneira mais adequada de comunicar a decisão para evitar uma onda de tensão social por parte dos opositores de Áñez.

Os seguidores do ex-presidente Evo Morales consideram que a mandatária está no poder devido a um golpe. Evo já havia dito que não havia motivos para adiar a eleição, porque “esta se pode realizar organizando as pessoas para evitar aglomerações”.

As eleições de maio poderiam por fim ao imbróglio que começou no fim de 2019, em que Evo foi eleito em segundo turno no pleito acusado de fraude pela oposição e pela OEA (Organização dos Estados Americanos). Após pressão de bolivianos e militares do país, Evo renunciou e ficou asilado no México e hoje vive na Argentina. Então senadora, Añez se declarou presidente interina do país e vem comandando a Bolívia desde então.

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