Domingo, 31 de Maio de 2020

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Brasil Bolsonaro acionou a Advocacia-Geral da União para processar o deputado federal Delegado Waldir, que falou em “implodir o presidente”

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Em áudio, deputado Delegado Waldir chamou o presidente de "vagabundo" e disse que iria implodir o governo. (Foto: Divulgação)

O presidente Jair Bolsonaro acionou a AGU (Advocacia-Geral da União) para processar o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), por ameaça.

Segundo a Folha de S.Paulo, a equipe do ministro André Mendonça estuda quais medidas criminais são cabíveis contra o deputado, que chamou Bolsonaro de “vagabundo” e disse que iria implodir o governo.

Waldir afirmou na manhã desta sexta (18) que o Palácio do Planalto e ministros do governo estão atuando junto a parlamentares para derrubá-lo da liderança do PSL na Câmara. Ele disse ainda ter sido “traído” pelo presidente Jair Bolsonaro.

O deputado deu as declarações ao chegar para uma reunião da executiva do PSL, um dia depois de ter sido divulgado um áudio em que o parlamentar diz que vai implodir o governo Bolsonaro — depois ele recuou e afirmou ter feito a fala em um “momento de sentimentos”.

“Nada do que eu falei [no áudio] é mentira. Se você for traído, como vai se sentir? Eu fui traído. O presidente pessoalmente está interferindo para me tirar da liderança. Isso não é traição?”, disse.

Mais tarde, Delegado Waldir afirmou que eventual processo seria um “presente”. “Vou esperar esse presente. Com certeza tenho muito, muito material para rebater”, disse à Folha. “Não posso adiantar nada, mas com certeza o Brasil todo vai querer saber o que é”, afirmou.

O PSL vive há dias uma guerra aberta entre aliados do presidente da legenda, deputado Luciano Bivar (PE), e um grupo alinhado ao presidente Bolsonaro. O racha ficou evidente depois de Bolsonaro ter aconselhado um seguidor a esquecer o partido e ter dito que Bivar estava queimado.

A crise no PSL extrapolou nesta quinta-feira (17) as barreiras do partido e atingiu a articulação política do governo Jair Bolsonaro no Congresso Nacional.

Em meio ao clima de beligerância no PSL, o presidente sofreu derrotas em série, foi chamado de vagabundo pelo líder do partido na Câmara, deputado Delegado Waldir (GO), e, em um contragolpe, decidiu tirar a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) da liderança do governo no Congresso.

O esquema de candidaturas laranjas do PSL, caso revelado pela Folha em uma série de publicações desde o início do ano, deu início a atual crise na legenda e tem sido um dos elementos de desgaste entre o grupo de Bivar e o de Bolsonaro, que ameaça deixar o partido.

O escândalo dos laranjas já derrubou o ministro Gustavo Bebianno, provocou o indiciamento e a denúncia do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) e levou a uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal a endereços ligados a Bivar em Pernambuco.

Na semana passada, diante disso,  Bolsonaro requereu a Bivar a realização de uma auditoria externa nas contas da legenda. A ideia tem sido a de usar eventuais irregularidades nos documentos como justa causa para uma desfiliação de deputados da sigla, o que evitaria perda de mandato. O episódio, no entanto, criou uma disputa interna na sigla, com a ameaça inclusive de expulsões.

A aliados Bolsonaro tem dito que só oficializará a saída do PSL caso consiga viabilizar a migração segura de cerca de 20 deputados do PSL (de uma bancada de 53) para outra sigla.

Nos bastidores, esses parlamentares já aceitam abrir mão do fundo partidário do PSL em troca de uma desfiliação sem a perda do mandato. A previsão é de que o PSL receba R$ 110 milhões de recursos públicos em 2019, a maior fatia entre todas as legendas.

A lei permite, em algumas situações, que o parlamentar mude de partido sem risco de perder o mandato — entre elas mudança substancial e desvio reiterado do programa partidário e grave discriminação política pessoal.

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