Segunda-feira, 11 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 22 de outubro de 2018
O candidato Jair Bolsonaro (PSL) confirmou no domingo (21) que, se eleito, pretende fundir os Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura. “Até o momento está garantida esta fusão. O ministro será indicado pelo setor produtivo, logicamente que a bancada do agronegócio terá seu peso nessa indicação”. Segundo o candidato, a ideia deu certo em países que juntaram essas duas pastas. “O que não podemos continuar é com dois ministérios antagônicos.”
A proposta é alvo de críticas de setores de exportação e do próprio agronegócio. Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo na semana passada, essa pressão fez a equipe técnica do candidato do PSL rejeitar uma fusão das pastas do Meio Ambiente e da Agricultura.
Nas últimas semanas, o grupo de campanha do PSL recebeu análises de especialistas em comércio exterior que preveem dificuldades com fornecedores da Europa se um possível governo confirmar o aniquilamento do Meio Ambiente e sinalizar para um aumento das taxas de desmatamento na Amazônia.
Um estudo que estava sendo preparado por auxiliares do presidenciável ressalta que órgãos como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade devem estar, num eventual governo, na estrutura de um superministério de infraestrutura ou se manter como pasta independente integrada ao sistema de defesa nacional.
Desde a pré-campanha, os auxiliares de Bolsonaro já trabalhavam com a perspectiva de que uma fusão era inviável administrativamente. Eles argumentam que área ambiental atua em temas de infraestrutura e energia, por exemplo, sem conexão com a Agricultura. As críticas generalizadas levaram a equipe a descartar a integração. Mas a palavra final é de Bolsonaro e no domingo ele voltou a reafirmar sua intenção de fundir os ministérios.
Economia
Ainda no domingo, o candidato também disse, em vídeo publicado em seu Twitter, que colocou suas demandas econômicas – entre elas dólar competitivo, taxa de juros baixas e inflação na meta – na mesa e que o economista Paulo Guedes (cotado para ser ministro da Economia em um eventual governo PSL ) disse ser possível.
“Queremos privatizar grande parte das estatais, tendo um olhar para os funcionários, levando em conta o que são empresas estatais satélites”, afirmou, acrescentando que “Paulo Guedes disse que há condição de atingir o objetivo”.
Segundo Bolsonaro, se deixar a carga tributária como está, “temos a certeza que o Brasil quebra, então temos que arriscar”. “A desoneração [de impostos] tem que atingir de forma positiva todo setor produtivo brasileiro e não apenas alguns setores.”
Investimentos
Uma espécie de otimismo moderado toma conta de analistas estrangeiros que acompanham a economia do Brasil. O fato de o líder nas pesquisas Bolsonaro ter como assessor econômico o liberal Paulo Guedes já não é suficiente para sustentar a euforia que se viu inicialmente. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
A expectativa agora recai sobre medidas e nomes escolhidos na eventual gestão do candidato. Há especial expectativa em relação a quem será o ministro da Casa Civil e se Ilan Goldfajn deixará a presidência do Banco Central, como aventado semana passada.
A avaliação é que, enquanto não houver clareza sobre o rumo a ser adotado após a eleição e, principalmente, da posse, os investimentos estrangeiros em ativos e projetos de mais fôlego no Brasil devem ficar em banho-maria.
“As empresas multinacionais com as quais conversamos neste momento contam que vão esperar para ver”, afirma Alec Lee, analista para Brasil do Frontier Strategy Group, consultoria especializada em mercados emergentes.
Esse compasso de espera deve se manter em novembro e dezembro, quando é esperado que o futuro presidente delineie a composição de seus ministérios. Os investidores querem conferir, sobretudo, qual a capacidade do governo de atrair nomes respeitados e alinhados com as propostas reformistas delineadas no programa do candidato do PSL.
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