Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 10 de dezembro de 2019
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (10) que o coronel da reserva Paulo Jorge de Nápolis é cotado para assumir o comando da embaixada do Brasil em Israel. Na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que o presidente decidiu indicar o militar, que trabalha na empresa aeroespacial IAI (Israel Aerospace Industries), para a representação diplomática.
Na saída do Palácio do Alvorada, onde parou para conversar com um grupo de apoiadores, o presidente avaliou como natural fazer uma troca neste momento, uma vez que o diplomata Paulo César Meira de Vasconcellos assumiu a função em 2017.
“A ideia é trocar, não quer dizer que seja aquele coronel. Existe a intenção de trocar, o que é natural. É natural trocar”, disse. “O coronel está no radar, não quer dizer que seja ele. Ele foi adido militar por três anos lá.”
Entre 2013 e 2015 na embaixada brasileira em Tel Aviv, o coronel foi responsável pela interlocução entre os canais diplomáticos brasileiros e israelenses na área de defesa.
Depois de voltar ao Brasil, serviu como oficial de ligação entre os adidos militares no exterior, os 40 adidos estrangeiros baseados em Brasília e o Estado-Maior do Exército.
Antes, havia sido comandante do centro de instrução de operações especiais da Força. O coronel é formado na turma de 1987 da Academia Militar das Agulhas Negras.
Naquilo que conhecidos dele consideram uma injustiça, Nápolis não foi escolhido pelo Alto-Comando do Exército para progredir na carreira como general e foi para a reserva em março de 2017.
Um mês depois, ele foi trabalhar na IAI, que opera no Brasil com um de seus principais produtos, a linha de drones, sistemas de segurança e na área de aviônicos.
Não há tradição no Brasil, como nos Estados Unidos, de enviar empresários para representar o país no exterior.
No passado, políticos importantes sem cargo público eram frequentadores da representação em Lisboa, e a posição na Agência Internacional de Energia Nuclear, em Viena, foi ocupada por um físico especializado no tema.
O nome de Nápolis foi apoiado dentro do Palácio do Planalto pelo general Luiz Eduardo Ramos, chefe da Secretaria de Governo.
O ministro, que carregava na farda a insígnia de ter treinado como paraquedista em Israel, chegou a ter o nome ventilado para a função, o que não procede. Aliados dele afirmam que isso foi uma intriga para desgastá-lo.
A troca em Tel Aviv é especulada há bastante tempo e chegou a ser citada pelo próprio presidente.
Bolsonaro disse a aliados que considerava o atual ocupante, Paulo César de Vasconcellos, “um petista” —algo refutado por seus amigos, lembrando que sua indicação se deu em 2017, no governo conservador de Michel Temer (MDB).
Esses interlocutores creditam a uma suposta resistência do diplomata à ideia bolsonarista de mudar a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém o motivo maior de seu desgaste, mas ele nunca se pronunciou sobre o tema.
Os comentários estão desativados.