Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de junho de 2019
O presidente Jair Bolsonaro defendeu, no sábado (15), que a população se arme para evitar que governantes assumam o poder “de forma absoluta”. Ao discursar numa cerimônia militar em Santa Maria (RS), Bolsonaro também declarou que “mais do que o Parlamento”, precisa ter o povo a seu lado para governar o Brasil.
“A nossa vida tem valor. Mas tem algo muito mais valoroso que nossa vida, que é nossa liberdade. Além das Forças Armadas, defendo o armamento individual para nosso povo para que tentações não passem na cabeça de governantes para assumir o poder de prova absoluta”, disse o presidente, durante evento em memória ao marechal Emilio Mallet, o patrono da Artilharia.
Foi à primeira visita de Bolsonaro ao Rio Grande do Sul após tomar posse. Diante de um público predominantemente militar, ele voltou a defender a ditadura, afirmando que os “homens e mulheres de farda já provaram seu valor nos anos de 1960”.
Em meio às negociações no Congresso para a aprovação da reforma da Previdência, o presidente disse que precisa mais do povo do que dos parlamentares. “Precisamos, mais que do Parlamento, do povo ao nosso lado para que possamos impor uma política que reflita em paz e alegria para todos nós”.
Bolsonaro foi recepcionado por apoiadores que organizaram uma carreata no acesso ao aeroporto de Santa Maria. Por mais de uma vez, ele saiu do carro para cumprimentar os simpatizantes. Um deles deu ao presidente um pixuleco, boneco inflável do ex-presidente Lula com uma roupa de presidiário.
A exemplo do que já havia feito na campanha eleitoral, quando chutou longe um boneco do mesmo tipo, Bolsonaro deu tapas no pixuleco e o arremessou longe. Durante o discurso, o presidente lembrou que visitou Santa Maria em 1993 “apoiando um colega”, mas não mencionou o fato de que, após essa viagem, a Câmara dos Vereadores da cidade outorgou a ele o título de “persona non grata” por ter defendido o fechamento do Congresso e a volta da ditadura militar.
Cientista político
O cientista político da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Marco Antonio Carvalho Teixeira, afirmou neste domingo (16) que a postura do presidente Jair Bolsonaro de se meter em “bolas divididas”, como no caso da demissão de Joaquim Levy, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), pode levar o governo a perder protagonismo em questões como a reforma da Previdência.
Não sabemos o futuro do governo desse jeito. O governo perdeu capacidade de articulação e a impressão que tenho é que o protagonismo em relação à reforma da Previdência vai sair do Congresso e não do governo”, afirmou Teixeira ao Broadcast Político. “Me parece que o governo não tem capacidade de trabalhar com o consenso, além de ser pouco talhado a conviver em um ambiente democrático.”
Para o cientista político, o governo “está caminhando desse jeito para dialogar com um público ainda mais reduzido, de extrema-direita”. “Esse é um movimento contraditório e revela que o presidente faz e fala o que vem em sua cabeça”, comentou.
Levy pediu demissão da presidência do BNDES neste domingo, após ser criticado Bolsonaro por conta da nomeação de Marcos Barbosa Pinto para o cargo de diretor de Mercado de Capitais no banco. Incomodado com a escolha, Bolsonaro disse que Levy estaria “com a cabeça a prêmio”. Barbosa Pinto trabalhou como assessor no BNDES entre 2005 e 2007, no governo PT, fato que irritou Bolsonaro. O próprio Levy foi ministro da Fazenda durante o governo Dilma Rousseff.
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