Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 20 de abril de 2019
O deputado federal Marco Feliciano, do Podemos de São Paulo, permanecerá vice-líder do governo, apesar de ter protocolado um pedido de impeachment do vice-presidente da República Hamilton Mourão. O presidente Jair Bolsonaro e auxiliares avaliam que a saída de Feliciano traria um desgaste indesejável com a bancada evangélica. Entretanto, o gesto político de não punir quem estocou Mourão tem lá seu significado.
O pedido
Marco Feliciano entrou com um pedido de impeachment contra o vice-presidente Hamilton Mourão. O pastor acusa o general da reserva de “conduta indecorosa, desonrosa e indigna” e de “conspirar” para conseguir o cargo de Jair Bolsonaro.
Um dos argumentos sustentados no pedido é uma “curtida” (like) da conta de Mourão no Twitter em uma publicação da jornalista Rachel Sheherazade, do SBT. “A denúncia por crime de responsabilidade contra Mourão se deu por comportamento indecoroso em várias ocasiões. Exemplo: na medida em que ele curtiu tweet de Rachel Sheherazade, detonando o presidente Jair Bolsonaro, o louvando como melhor opção para governar o país.”
Feliciano, depois de passar os dois primeiros meses do governo afastado do governo – ele acusa o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) de dificultar o seu acesso ao presidente –, virou um dos mais verborrágicos e contundente defensor de Bolsonaro no parlamento e nas redes sociais. Em entrevista ao Estado, Feliciano afirma que todos os atos que ele faz tem a “conhecimento do presidente”, inclusive este pedido. “Falei com ele antes, durante e depois. Não há nada que eu faça aqui que o presidente não saiba”.
O pedido protocolado na terça-feira (16) marca a conversão do pastor ao olavismo – termo utilizado para identificar os seguidores do professor Olavo de Carvalho. Na semana passada, o pastor este nos Estados unidos e se reuniu com o filósofo ligado à direita. Olavo tem usado suas redes sociais para atacar militares e, em especial, Mourão, o qual o acusa de ser uma “paixão mórbida” pela “mídia comunista”.
“Não sou um vice-líder que vai deixar de falar as verdades. Um vice-líder tem que fazer isso. Quem compõe o governo tem que falar a verdade e, inclusive mostrar problemas e blindar o presidente. Comecei a ver as atitudes do Mourão. Pode até me chamar de teórico da conspiração, mas as atitudes dele mostra que havia uma conspiração de verdade acontecendo na surdina. Em 100 dias do presidente, são 100 dias de alfinetadas. O presidente fala que contra o aborto e Mourão diz que é contra. Aí, vem o presidente e diz em transferir a embaixada de Israel para Jerusalém, Mourão diz que é contra. Teve aquele vídeo de 64 e o Mourão foi logo dizendo que partiu do presidente. Calma aí, um vice não pode fazer isso”, disse Feliciano.
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