Quinta-feira, 07 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de novembro de 2020
O presidente Jair Bolsonaro afirmou na tarde desta quarta-feira em São Paulo que o governo federal vai “comprar e distribuir” vacinas contra a Covid-19 assim que algum dos imunizantes for aprovado pela Anvisa. Em um encontro com empresários promovido pelo Grupo Voto, o presidente afirmou que essa distribuição será “gratuita e voluntária”.
“Nenhuma vacina ainda completou a terceira fase (de estudos). A vacina, uma vez certificada pela Anvisa, nós compraremos para que a população possa, de forma voluntária e gratuita, receber a aplicação da mesma”, disse o presidente.
No evento, Bolsonaro não chegou a mencionar a Coronavac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech e testada pelo Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo. No fim de outubro, o presidente desautorizou seu ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que havia firmado um acordo prévio para a compra do imunizante.
Depois disso, Bolsonaro comemorou como uma vitória pessoal a morte de um voluntário da vacina desenvolvida pela parceria entre a empresa chinesa e o governo paulista, de seu desafeto João Doria (PSDB). Um dia depois, a Anvisa, ao receber informações de que a morte não tinha relação com o imunizante, liberou a retomada dos testes.
O governo federal fechou parceria com o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford (Reino Unido) e a farmacêutica britânica AstraZeneca. No Brasil, a fórmula é testada Brasil em estudo liderado pelo Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A vacina poderá ser fabricada, em um segundo momento, pela Fiocruz.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância) informou nesta quinta-feira (26) que recebeu os documentos com os resultados dos testes das fases 1 e 2 da vacina desenvolvida pela Pfizer contra a Covid-19.
Segundo a agência, a documentação foi incluída no processo de submissão contínua. A farmacêutica norte-americana Pfizer enviou os primeiros dados dos testes da BNT162b2 na quarta-feira (25).
“De acordo com o disposto pela Instrução Normativa 77/2020, a Anvisa tem até 20 dias para analisar os documentos, contados a partir da data do protocolo”, diz nota da agência.
A submissão contínua ainda não é o pedido de registro da vacina. O procedimento não significa que a empresa pediu o registro do produto no País: na etapa atual, ela busca acelerar o trâmite e preparar a futura solicitação.
No Brasil, 2,9 mil voluntários participam dos testes e não há acordo fechado para fornecimento do imunizante para a população, apesar de o Ministério da Saúde incluir a Pfizer entre os cinco fabricantes com os quais está em negociação.
Com a remessa dos primeiros documentos, a empresa começou o chamado “processo de submissão contínua” previsto pela agência federal para acelerar o recebimento de dados dos fabricantes que desenvolvem as possíveis vacinas contra o novo coronavírus.
Na submissão contínua, as empresas não vão precisar ter todos os documentos reunidos para apresentá-los de uma vez só à Anvisa, como normalmente ocorre.
“Esse é um importante passo para que o imunizante esteja disponível no Brasil. A Pfizer disponibilizará todos os dados necessários para avaliação e estará em total colaboração com a Anvisa para que esse processo transcorra da melhor maneira e o mais rapidamente possível”, afirmou, em nota, Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer Brasil.
A Pfizer e o laboratório alemão BioNTech já anunciaram que a a BNT162b2 teve 95% na prevenção à doença, e não houve efeitos colaterais graves, conforme dados dos estudos de fase 3. Apesar disso, os resultados ainda não foram divulgados em uma revista científica.
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