Segunda-feira, 03 de Agosto de 2020

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Brasil Bolsonaro volta a defender a hidroxicloroquina, mas especialistas ressaltam a falta de evidência científica

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Percentual de mortes foi de 3% tanto entre os que tomaram o remédio quanto entre os que integravam o grupo controle. (Foto: Reprodução)

Em viagem a Santa Catarina no fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso da hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus, apesar de não haver comprovação científica da eficácia do remédio contra a Covid-19.

O mandatário também se colocou à disposição dos gestores locais para combater os efeitos do “ciclone bomba”, que causou ao menos 10 mortes na região Sul.

“Estamos tendo notícias também de que cada vez mais, não só no Brasil, mas no mundo, o tratamento precoce via hidroxicloroquina tem surtido efeito, então nós apelamos àqueles que ainda resistem”, disse, em referência ao protocolo do Ministério da Saúde que recomenda que médicos possam prescrever medicamentos à base de cloroquina para pacientes em estágios iniciais da doença.

De acordo com Bolsonaro, a droga é a “única prevenção no momento”, enquanto a vacina não está disponível.

“Realmente, entendo que a única prevenção no momento, o único tratamento é a hidroxicloroquina, enquanto não chega a vacina que o Brasil, muito bem, se aliou agora à Inglaterra e a outros países, com 100 milhões de dólares, na busca dessa vacina”, afirmou.

OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou sua decisão de retirar, definitivamente, a hidroxicloroquina de seus testes científicos.

Esta posição foi adotada seguindo a recomendação do comitê de especialistas que assessora a organização e avalia os resultados dos testes realizados em hospitais de diversos países. A recomendação deste comitê foi retirar a hidroxicloroquina e, também, o lopinavir/ritonavir de todos os testes.

“O Comitê Diretor Internacional formulou a recomendação à luz das evidências para hidroxicloroquina e para lopinavir/ritonavir e de uma revisão das evidências de todos os estudos apresentados na Cúpula da OMS sobre pesquisa e inovação Covid-19, em 1 e 2 de julho”, apontou o comunicado.

O texto diz ainda que, nos testes realizados, estes medicamentos não resultaram em “nenhuma redução na mortalidade de pacientes internados com Covid-19 quando comparados ao padrão de atendimento”.

No entanto, a OMS esclareceu que sua decisão “não afeta a possível avaliação em outros estudos de hidroxicloroquina ou lopinavir/ritonavir em pacientes não hospitalizados ou como profilaxia pré ou pós-exposição para a Covid-19”.

No Brasil, as Forças Armadas produzem o medicamento e aumentaram sua produção a pedido do presidente Bolsonaro.

O Ministério da Defesa informou, recentemente, que já foram produzidos 1,8 milhão de comprimidos de hidroxicloroquina, que estão estocados no Laboratório do Exército brasileiro. O valor representa cerca de 18 vezes a produção anual do medicamento, em anos anteriores. Paralelamente, o governo dos Estados Unidos enviou 2 milhões de doses do remédio ao Brasil.

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