Sábado, 29 de agosto de 2026
Por Carolina Rodrigues | 26 de agosto de 2026
Touro Brangus.
Foto: Leandro Vieira/divulgação
A raça Brangus terá uma presença histórica na 49ª Expointer, realizada em Esteio (RS). Com 195 animais inscritos, será a raça bovina com o maior número de exemplares no pavilhão de argola da feira, consolidando sua ascensão no cenário pecuário brasileiro.
Desenvolvida para desempenho e adaptabilidade, o Brangus é reconhecido pela qualidade da carne, resistência a carrapatos e capacidade de enfrentar amplitudes térmicas e altas temperaturas. Essa rusticidade, somada ao potencial produtivo, explica por que a raça atinge o auge de seu destaque na Expointer 2026.
A participação será marcada pela estratégia de comunicação “Brangus, a raça do Brasil que produz”, reforçando a eficiência da genética para gerar terneiros de alta qualidade e carne valorizada no mercado. “O mercado está entrando em um ciclo de alta nos preços, gerando maior demanda por produção de terneiros e de qualidade de carne. E isso representa uma grande oportunidade para o cruzamento com Brangus e, portanto, oferece uma perspectiva positiva para os próximos três, quatro anos”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Brangus, João Paulo Schneider da Silva.
Nos últimos cinco anos, o crescimento da raça esteve diretamente ligado às mudanças enfrentadas pelo setor pecuário: temperaturas elevadas, instabilidades climáticas e necessidade de animais mais resistentes a parasitas. Hoje, o Brangus ocupa a terceira posição em vendas de sêmen no Brasil, atrás apenas de Angus e Nelore, e vem ampliando sua presença em diferentes biomas.
Originado nos Estados Unidos e introduzido no Brasil com importante trabalho de adaptação da Embrapa Bagé, o Brangus resulta do cruzamento entre Angus e Zebu. A combinação reúne qualidade de carne e produtividade com rusticidade, adaptação ao calor, resistência a parasitas e fertilidade — fatores cada vez mais decisivos para a pecuária nacional.
Nas regiões ao norte do Paraná e em estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rondônia e Pará, o Brangus vem sendo utilizado em cruzamentos com Nelore para melhorar a qualidade da carne em sistemas de terminação intensiva. Essa versatilidade genética permite sua utilização em diferentes sistemas produtivos, ampliando a presença da raça em diversas regiões do país.
Dia do Brangus
Além da participação expressiva nos julgamentos e exposições, a Associação Brasileira de Brangus promoverá o Dia do Brangus, no domingo (30), das 9h30 às 13h. A programação contará com três painéis técnicos reunindo produtores, especialistas e representantes do setor.
Entre os temas estarão o protagonismo feminino na pecuária, um painel inédito com os chamados “agrosurfistas” — abordando qualidade da carne Brangus e suas relações com saúde e bem-estar — e um debate com produtores que atuam em diferentes biomas brasileiros. A expectativa é reunir cerca de 150 participantes, reforçando a Expointer como espaço de discussão sobre genética, produção e os novos desafios da pecuária nacional.
Força internacional
Com 357 associados em 18 estados brasileiros, a Associação Brasileira de Brangus vem ampliando sua organização e presença. A força internacional da raça foi evidenciada em março, quando o Brasil sediou o Congresso Mundial da Raça Brangus, um evento de 16 dias que reuniu cerca de 5 mil participantes e representantes de 16 delegações internacionais.
“Na Expointer, a expectativa é transformar a expressiva presença de 195 animais em uma vitrine da capacidade produtiva, da adaptação e do potencial de crescimento de uma raça que vem conquistando cada vez mais espaço na pecuária brasileira”, destacou Schneider da Silva. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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