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Geral Brasil deve apoiar nova resolução da ONU que pede cessar-fogo na Ucrânia

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Pessoas caminham em meio a prédios destruídos no Norte da Ucrânia. (Foto: Oleksandr Ratushniak/UNDP)

Na semana em que a guerra na Ucrânia completa um ano e por iniciativa, principalmente, da União Europeia (UE), a Assembleia Geral das Nações Unidas deve aprovar uma nova resolução que condena a invasão do país por parte da Rússia, expressa preocupação pelo impacto global do conflito e a perda de vidas humanas, e, por proposta do governo brasileiro, falará expressamente na necessidade de obter “uma paz abrangente, justa e duradoura”.

O texto começou a ser debatido nesta quarta-feira e sua aprovação é dada como certa. Na votação de 14 de novembro do ano passado, que tratou de medidas de reparação para a Ucrânia, 94 países votaram a favor, 14 contra e 73, entre eles o Brasil, se abstiveram. Segundo explicou uma fonte diplomática, “o Brasil absteve-se por entender que a eventual criação de mecanismo de reparação de danos sem adequada supervisão das Nações Unidas resultaria em insegurança jurídica”.

Nesta nova votação, e depois de idas e vindas de versões do texto que finalmente será submetido à votação, ao qual O jornal O Globo teve acesso, é mencionado algo essencial para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva: a necessidade de fazer esforços pela paz.

“Salientando, um ano após a invasão em grande escala da Ucrânia, que a obtenção de uma paz abrangente, justa e duradoura constituiria uma contribuição significativa para o fortalecimento da paz e segurança internacionais”, diz a resolução, que também expressa “forte apoio aos esforços do Secretário-Geral e dos Estados Membros para promover uma paz abrangente, justa e duradoura na Ucrânia, consistente com a Carta da ONU, incluindo os princípios de igualdade soberana e integridade territorial dos Estados”.

O governo Lula vem defendendo a necessidade de falar em paz na Ucrânia, e se opondo enfaticamente a participar de operações de envios de armas e munições ao governo de Volodymyr Zelensky. O presidente brasileiro, em paralelo, está avaliando manter um contato direto com o presidente da Ucrânia, mas ainda sem data e, segundo fontes, sem pressa.

O presidente da França, Emmanuel Macron, confirmaram fontes brasileiras, pretendia articular e participar de uma conversa entre Lula e Zelensky ainda esta semana, mas assessores internacionais do presidente brasileiros não consideram conveniente o timing. “Haverá contato, nossas embaixadas conversam sobre essa possibilidade, mas não neste momento”, afirmou a fonte.

O Brasil condenou desde o início a agressão da Rússia à Ucrânia, mas mantém uma posição diferente da defendida por americanos e europeus. Como explicou uma fonte brasileira que acompanha de perto o assunto, “não se isenta a Rússia de responsabilidades, mas o que a ONU faz deve ser voltado a procurar uma solução e não apenas apontar responsáveis”.

A menção na resolução à necessidade de cessar hostilidades foi sugerida pelo governo brasileiro, e aceita pelos países da UE, que querem obter um apoio expressivo ao texto, numa semana considerada crucial para os aliados da Ucrânia na guerra. “A prioridade para o Brasil é acabar com a matança, o cessar fogo e a negociação de paz”, frisou a fonte.

O Brasil se absteve em outras votações, por exemplo, quando, também por iniciativa de europeus e americanos, se tentou expulsar a Rússia do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Foi em abril do ano passado, e o resultado foram 93 votos a favor, 24 contrários e 58 abstenções. O Brasil decidiu abster-se por considerar necessária a preservação de espaços de diálogo com a Rússia e para evitar medidas que tendam a politizar foros internacionais, como o Conselho de Direitos Humanos.

Nada que leve ao isolamento da Rússia será apoiado pelo Brasil. Não foi pelo governo de Jair Bolsonaro, e tampouco será pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Como explicou outra fonte, “se queremos resolver o problema, temos de poder conversar com quem está causando o problema”. As informações são do jornal O Globo.

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