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Economia Brasil fica para trás nos últimos 45 anos e amplia distância de PIB per capita em relação ao mundo

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País deixou de acompanhar o avanço global desde os anos 1980 e hoje tem renda per capita abaixo da média mundial

Foto: ABr
(Foto: ABr)

O brasileiro ficou para trás nos últimos 45 anos. Preso na chamada armadilha da renda média, o País viu o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) per capita global superar, de forma consistente, seu ritmo. Pior: o desempenho econômico recente tem sido insuficiente para reduzir essa diferença. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Entre 1980 e 2025, o PIB per capita global subiu de US$ 3.380,47 para US$ 26.188,94, um aumento de 675%, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional). No mesmo período, o Brasil saiu de US$ 4.427,94 para US$ 23.380,98, alta de 428%.

Os números estão calculados em Paridade do Poder de Compra (PPP, na sigla em inglês), o que torna mais justa a comparação entre países e grupos econômicos. Na prática, o indicador mostra que o poder de compra do brasileiro cresceu menos do que o da média mundial nas últimas décadas.

O PIB per capita mostra a média da riqueza disponível por habitantes de um país. No Brasil, o ritmo mais lento em relação a outras nações é reflexo da baixa produtividade, investimentos insuficientes e ambiente de negócios ainda complexo. Junta-se a isso avanços aquém do necessário na área de educação e inovação.

O PIB per capita do mundo é superior ao do Brasil desde 2015, quando o País começou a enfrentar uma dura recessão econômica, que se arrastou até 2016. Naquele biênio, a economia brasileira recuou mais de 3% em cada um dos anos.

“Esse cenário tem a ver com os nossos solavancos, com essa instabilidade econômica que se traduz em períodos de crescimento mais rápido e, depois, períodos de desaceleração e até de recessão”, afirma Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial de uma consultoria. “Não há uma sustentação do crescimento de maneira contínua.”

De 1980 a 2025, o PIB per capita brasileiro também cresceu menos do que o das economias avançadas — que subiu de US$ 10.327,44 para US$ 74.516,33, um crescimento de 621% — e do que o das economias emergentes, que passou de US$ 1.499,81 para US$ 18.413,23, aumento de 1.128%.

A quebra brasileira

Outro estudo elaborado pelo economista Sergio Vale com outra base de dados, da PWT (Penn World Table), também ajuda a evidenciar o atraso brasileiro em relação ao mundo. Ele identificou uma “quebra” no ritmo de crescimento do Brasil a partir de 1981. “Não conseguimos resgatar aquele ímpeto de crescimento que tínhamos até os anos 1970″, afirma Vale.

O estudo do economista lança luz sobre o crescimento brasileiro em comparação com economias que tinham um desempenho similar até os anos 1980 — e as que apresentavam características mais próximas eram Coreia do Sul, Romênia e Botswana.

Em 2023, o PWT apurou que o PIB per capita do Brasil foi de US$ 18.492. O número é 42% menor do que seria caso o País tivesse acompanhado o ritmo de crescimento dessas nações — a renda média do brasileiro seria US$ 13,4 mil maior e teria alcançado US$ 31,9 mil.

“Não seria uma renda alta — que é de US$ 50 mil, US$ 60 mil para cima —, mas seria uma renda que colocaria o País no limite entre sair da armadilha da renda média e ter uma condição de poder ser considerado um país de renda mais elevada”, afirma o economista.

A década de 1980 é conhecida como a década perdida para o Brasil. O País lidou com problemas no setor externo — incluindo o calote da dívida — e com um quadro de hiperinflação, que foi debelado apenas com o Plano Real, em 1994.

O que chama a atenção é que a diferença entre o PIB per capita atual e o que seria observado sem a ruptura tem crescido ao longo dos anos. Em 1981, quando houve a quebra no ritmo de crescimento do Brasil, essa diferença em relação aos três países similares identificados pelo estudo era de 7,3%. Em pouco tempo, em 1985, subiu para 19,2%.

As causas do atraso brasileiro

De fato, são vários os fatores que explicam a baixa produtividade brasileira. Eles envolvem desde uma economia pouco integrada ao resto do mundo até um ambiente de negócios pouco amigável e caro, além de incentivos econômicos inadequados e baixa qualificação da mão de obra.

Entre 1950 e 1980, o Brasil se beneficiou de um modelo de substituição de importações e da migração de recursos do campo para a indústria, o que ajudou a elevar a produtividade do País à época e, consequentemente, permitiu que a economia brasileira crescesse a taxas mais robustas.

“O problema é que, quando os anos 1980 chegaram, esse modelo tinha se esgotado. O Brasil já não era um País de renda baixa, mas de renda média. Dos anos 1980 para cá, o desafio passou a ser outro: não era mais transferência de recursos nos setores, mas aumentar a produtividade dentro de cada setor”, afirma Fernando Veloso, diretor de Pesquisa do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social.

“A partir dali, o Brasil precisava aumentar principalmente a produtividade no setor de serviços, porque é o mais importante. Hoje, 70% do PIB e do emprego estão concentrados no setor de serviços. Mas os dados setoriais mostram que a produtividade da indústria e do setor de serviços não cresce desde 1995”, acrescenta Veloso.

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Adalberto Meneguzzi
3 de maio de 2026 09:23

Um país com a baixa produtividade brasileira, baixa escolaridade e ensino deficiente, não poderia jamais pensar em reduzir jornada de trabalho.
A conta chegará em menos de 6 meses, se aprovada essa aberração da diminuição obrigatória da jornada de trabalho!

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