Domingo, 05 de Abril de 2020

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Esporte Brasil termina Paralimpíada em 8° lugar, abaixo da meta

Daniel Dias conquista o ouro nos 100m livre S5 das Paralimpíadas Rio 2016 (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A meta de subir para o quinto lugar no quadro de medalhas não foi alcançada. O Brasil, inclusive, caiu uma posição em relação dos Jogos de Londres, despedindo-se da Paralimpíada do Rio na oitava colocação geral. Se faltaram ouros, sobraram medalhas de prata e bronze. Foram 72 pódios, 29 a mais do que há quatro anos.

Para o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), é o caso de ver o “copo meio cheio” com o aumento de esportes premiados e o surgimento de novos talentos.

Em Londres o Brasil havia conquistado 43 medalhas, sendo 21 de ouro. No Rio, o total chegou a 72, mas o número de ouros caiu para 14. Foram 29 pratas e 29 bronzes. Se em 2012 apenas sete esportes tiveram representação no pódio, desta vez foram 13 modalidades premiadas.

“O CPB está extremamente satisfeito com a campanha. Claro que tínhamos uma meta de ficar em quinto lugar através do ouros, mas havia uma série de outras metas, e todas elas foram alcançadas. Houve um aumento de 65% de medalhas em relação a Londres. Sob essa ótica foi a melhor participação da história. Destaque para o aumento das modalidades a medalharem, quatro delas pela primeira vez na história”, disse o presidente, referindo-se a canoagem, ciclismo, vôlei sentado e halterofilismo.

Se em Londres o Brasil teve 42 medalhistas, no Rio este número subiu para 113 (em ambos os casos contabilizando cada indivíduo nos esportes coletivos), parcelas que representaram 39% e 47% das delegações de cada edição, respectivamente – vale ressaltar que a equipe em 2016 foi a maior da história, com 286 atletas.

A redução do número de ouros, no entanto, foi apontada como reflexo de diferentes aspectos. Um deles foi o crescimento de rendimento de alguns países em eventos antes dominados pelo Brasil. No atletismo, por exemplo, os 100m T11, para cegos, teve apenas uma prata no masculino, enquanto em Londres o país conquistou cinco das seis medalhas em disputa, considerando-se os dois gêneros.

Na natação, a questão foi ainda mais flagrante devido às performances assombrosas de chineses e ucranianos no Centro Aquático. Com rivais mais diretos na briga por posições do quadro de medalhas, houve também quem se aproveitasse da ausência da Rússia, banida pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC). Segundo avaliação do CPB, o Brasil não herdou nenhuma medalha que teoricamente seria dos russos.

“Ainda vamos avaliar melhor, mas temos a impressão que Austrália e Alemanha se beneficiaram com a saída dos russos. Na natação, a gente foi surpreendido com atletas vindo do nada e ganhando. Isso nos surpreendeu e fez com que não tivéssemos a base de dados mais confiável possível, a gente teria feito uma revisão da meta. Também deixamos de ganhar medalhas. O goalball, por exemplo, foi ouro no Mundial e aqui não repetiu. Eram casos específicos que apontavam para cima, mas aqui não se repetiram. E muitos países cresceram. O Mateus (Evangelista) quebrou recorde mundial, aí o chinês quebrou na mesma prova (salto em distância). É a evolução do esporte”, disse Parsons.

MEDALHÕES PERDEM ESPAÇO PARA JOVENS TALENTOS
A Paralimpíada do Rio também mostrou o início de uma importante renovação na delegação brasileira. A natação foi marcada pela despedida do veterano Clodoaldo Silva, e o foco da busca de medalhas seguiu em Daniel Dias e Andre Brasil. Mas o país ampliou o leque, com um total de 12 medalhistas. A piscina também refletiu um novo momento do esporte paralímpico, com o surgimento de mais especialistas por estilo e menos multimedalhistas.

Daniel Dias disse ainda ser cedo para analisar se continuará disputando muitas provas até Tóquio 2020 (no Rio foram nove, todas com direito a pódio), mas observou que está cada vez mais complicado manter esse padrão quantitativo. Sobre a pressão, nadador garante que em nenhum momento sentiu cobrança por parte do comitê, mesmo sabendo que sua performance era importante para o quadro de medalhas.

“Realmente, está mais difícil. Os atletas estão mais específicos. Ainda não pensei (sobre o programa). Não tenho dúvida de que vamos fazer um bom ciclo. Até lá, tem tempo para pensar. Aqui em nenhum momento o comitê nos pressionou como se precisássemos de algo. Só nos deu apoio para uma excelente preparação, para nos divertirmos e dar nosso melhor. O Brasil evoluiu muito. Sabia que ia ser difícil chegar, tentamos ao máximo isso. Mas quem sabe em Tóquio a gente pode conseguir isso.”

Dos nomes mais conhecidos do público, Daniel foi o único a corresponder às expectativas em termos de pódio. Mas o chefe de missão do Brasil, Edilson Rocha, o Tubiba, lembrou, por exemplo, que Andre Brasil quebrou recorde das Américas mesmo sem medalha. No total, os atletas da casa fizeram a melhor marca da vida em 93 provas (37 no atletismo, 54 na natação e 2 no halterofilismo).

Houve, no entanto, queda significativa de rendimento de alguns medalhões, sobretudo no atletismo. Terezinha Guilhermina, que defendia títulos nos 100m e nos 200m, foi desclassificada na final de ambos os eventos. Despediu-se da Rio 2016 com prata no revezamento 4x100m T11-13 e bronze nos 400m. Alan Fonteles decepcionou nos eventos individuais, tendo como único pódio uma prata no 4x100m T42-47.

“Alan é um talento puro. Ninguém chega para vencer o Pistorius sem talento. Ele tem potencial para voltar e ter bom resultado em Tóquio. Estamos prontos para prepará-lo novamente e criar um planejamento para ele. Temos certeza que, assim como fizemos na preparação para Londres, ele pode voltar sim. Em algum momento, ele não conseguiu se encontrar novamente depois dessa parada (tirou um ano sabático na carreira em 2014) e não conseguiu repetir resultados. É um atleta jovem, e com o CT e equipe de profissionais que temos, podemos voltar a fazê-lo ser competitivo”, disse Tubiba.

Em contrapartida, novos talentos apareceram. Nas pistas os destaques da nova geração foram Petrúcio Ferreira (um ouro e duas pratas) e Verônica Hipólito (uma prata e um bronze). Eles fazem parte do grupo de 15 atletas brasileiros com menos de 23 anos que subiram ao pódio.

“Trabalhamos na chamada geração pós-Londres. Quando a gente soube que seria no Rio (a Paralimpíada), imaginava que haveria aumento de investimento. Criamos seleções de jovens pensando no futuro. Trabalhamos essa geração para ganhar experiência no Rio e chegar muito bem em Tóquio, muitos estouraram bem antes, como Verônica, Mateus, Petrúcio… A gente conseguiu fazer com que essa geração chegasse aqui já com bom resultado”,  disse Tubiba. (AG)

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