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Saúde Brasil teve recorde de transplantes no 1º trimestre do ano

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Foram realizados mais de 31 mil procedimentos, 21% a mais que em 2022. (Foto: Freepik)

O Ministério da Saúde anunciou uma campanha para incentivar a doação de órgãos. A ação inédita conta com R$ 20 milhões para a qualificação do diálogo com as famílias e inclusão de novos procedimentos.

O Brasil ocupa a terceira posição mundial em número absoluto de procedimentos, atrás dos EUA e da China, mas tem o maior sistema público de transplantes do mundo. Apenas no 1° semestre deste ano, foram 14,9 mil transplantes. Esse é o maior número da série histórica. A maior parte (80%) é realizada no SUS.

Entretanto, 80 mil pessoas aguardam na fila e 45% das famílias ainda recusam a doação de órgãos. A campanha reforça a importância dos doadores avisarem à família sobre esse desejo, pois, após o falecimento, a decisão cabe à família.

De acordo com José Medina Pestana, superintendente do Hospital do Rim, em São Paulo, a principal razão de recusa das famílias é porque a pessoa nunca avisou à família a vontade de ser um doador. Daí a importância de reforçar essa vontade entre seus familiares.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a principal mensagem é passar para as famílias a segurança e seriedade do Programa Nacional de Transplante de órgãos. Ele também ressalta que para as famílias que aceitam fazer a doação, essa pode ser uma oportunidade de “ver esse ente querido continuar vivendo em tres, quatro, pessoas que vão ser salvas com essa doação”.

O evento de lançamento da campanha, realizado no Hospital do Rim em São Paulo, marcou a assinatura da portaria que cria a Política Nacional de Doação e Transplantes (PNDT). É a primeira vez que a política foi descrita em portaria específica, desde a criação do sistema em 1997.

A política organiza de forma clara os princípios e diretrizes do Sistema Nacional de Transplantes, reforçando a ética, a transparência, o respeito ao anonimato e a gratuidade no acesso pelo SUS.

Um dos avanços mais significativos é a regulamentação dos transplantes de intestino delgado e multivisceral, agora incluídos no SUS. A medida garante que pacientes com falência intestinal tenham 100% do tratamento ofertado na rede pública de saúde, desde a reabilitação intestinal até os procedimentos pré e pós-transplante.

Inicialmente, cinco centros em São Paulo e no Rio de Janeiro estão autorizados a realizar o procedimento, com expectativa de ampliar o número de unidades habilitadas nos próximos anos.

Outra inovação é a incorporação do uso rotineiro da membrana amniótica, tecido obtido da placenta após o parto, para pacientes queimados, em especial crianças. O procedimento favorece a cicatrização, reduz o risco de infecções e diminui a dor, beneficiando mais de 3,3 mil pessoas por ano.

A política também estabelece a realização da prova cruzada virtual, exame feito remotamente para avaliar a compatibilidade imunológica entre doador e receptor. Esse recurso reduz riscos de rejeição, traz mais segurança e garante maior agilidade em situações de urgência, permitindo que o transplante aconteça o mais rápido possível.

A criação de critérios específicos de priorização para pacientes hipersensibilizados, grupo que, após transfusões sanguíneas ou gestações, desenvolve anticorpos que dificultam a compatibilidade, é mais um avanço. A medida reduz o tempo de espera e amplia as chances de sucesso nos transplantes renais, impactando diretamente a qualidade de vida dessas pessoas.

No campo dos transplantes de medula óssea, o teste de quimerismo, exame de DNA utilizado para monitorar a rejeição e orientar condutas médicas, passa a ser ofertado de forma regular.

Investimento

A iniciativa integra um conjunto de medidas que somam investimento de R$ 20 milhões por ano para fortalecer o Sistema Nacional de Transplantes. A maior parte, R$ 13 milhões, para a inclusão de novos procedimentos, como transplantes de membrana amniótica, para casos graves de queimadura e transplante multivisceral, para falência intestinal. Os outros R$ 7,4 milhões são para o Prodot, cujo objetivo é aumentar o percentual de doação das famílias no País.

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