Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021

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Saúde Brasileiras estão engordando mais do que os brasileiros

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Mulheres começam a engordar mais do que os homens a partir da faixa etária que vai dos 35 aos 44 anos. (Crédito: Reprodução)

Uma pesquisa inédita do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em parceria com o Ministério da Saúde, mostra que 56,9% dos brasileiros adultos – o que representa mais de 82 milhões – estavam com excesso de peso em 2013, ano em que as entrevistas foram feitas. Estão incluídos nessa conta os 20,8% de brasileiros obesos.

A PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) revela também que o número de pessoas acima dos 20 anos que pesam mais do que deveriam teve um salto expressivo na última década. Em 2003, 42,4% dos homens tinham excesso de peso, segundo a POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares). Já em 2013, esse índice passou para 57,3%, de acordo com a PNS.

O aumento é ainda mais significativo entre as mulheres, que viram sua taxa de excesso de peso pular de 42,1% para 59,8% no mesmo período.

O crescimento da parcela feminina que sofre com a obesidade também é mais acelerado do que entre os homens. Enquanto 14% delas tinham o problema em 2003, as obesas passaram a somar 25,2% em 2013. Já eles tiveram sua taxa aumentada de 9,3% para 17,5% nesses dez anos.

“Hoje, a mulher tem jornada dupla, às vezes tripla. Ela trabalha tanto quanto o homem, mas com estresse muito maior. É difícil administrar vida familiar e profissional. Elas já têm fatores hormonais e genéticos que as fazem ter mais propensão para engordar, porque precisam de mais gordura corporal do que os homens. Mas, além disso, sofrem com fatores sociais”, destaca Roberta Cassani, membro da diretoria da SBAN (Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição). “As mulheres ocuparam um espaço muito grande fora de casa, mas ainda existe uma cultura de centrar na figura feminina os trabalhos domésticos e os cuidados com os filhos. Em geral, se as mulheres não abarcam todas essas tarefas, elas se sentem culpadas. E isso acaba afetando a saúde delas.”

Mulheres têm aumento de peso com o avanço da idade.

A análise da nutricionista ganha força quando se observa que o acúmulo de gordura abdominal – verificado a partir da circunferência da cintura – atingiu 52,1% das mulheres e 21,8% dos homens, uma diferença de mais que o dobro. Elas começam a engordar mais do que eles a partir da faixa etária que vai dos 35 aos 44 anos e chegam a ter seu índice de excesso de peso elevado a mais de 70% entre os 55 e 64 anos.
Segundo o vice-presidente do Departamento de Obesidade da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), Marcio Mancini, a piora nos hábitos alimentares é a chave para entender o aumento de peso da população. “A diferença entre mulheres e homens é expressiva, mas o que mais me chama atenção é o grande aumento do número de pessoas de ambos os gêneros com excesso de peso nos dez anos estudados. Eu interpreto isso como um aumento do poder de compra da população, que não soube direcionar corretamente o seu gasto com alimentação”, avalia.

O médico lembra que, nos Estados Unidos, país onde é amplamente difundido o hábito de consumir alimentos industrializados, a taxa de sobrepeso e obesidade na população é de 65%. Um número já não tão distante dos nossos quase 60% apresentados na PNS.

Mais obesos na classe média.

“Tenho medo de que, no próximo levantamento, que será feito em 2018, o Brasil atinja o índice dos Estados Unidos. A única diferença é que, lá, a maior incidência de obesidade é entre as pessoas de renda mais baixa. Aqui, vemos um crescimento do número de obesos na classe média”, observa Mancini, acrescentando que, de acordo com estimativas americanas, um obeso gasta do próprio bolso 1,4 mil dólares, cerca de 4.860 reais, a mais do que uma pessoa com peso normal por ano.

Com o aumento do conjunto de obesos no País, cresce também o risco da incidência de doenças comumente associadas à obesidade, como hipertensão, diabetes e câncer. A PNS 2013 verificou que 22,3% das pessoas tiveram aumento da pressão arterial no momento da entrevista. A proporção de homens foi de 25,3% e, entre mulheres, o problema foi sentido por 19,5% delas. Segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, a pesquisa realizada pelo IBGE ajudará o ministério a implantar políticas públicas para melhorar o quadro. Para ele, uma saída para reverter esse cenário é dar mais espaço para a agricultura familiar no país, ampliando o acesso a produtos saudáveis. (AG)

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