Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 26 de julho de 2015
Os consumidores estão fazendo de tudo na tentativa de esticar o salário até o fim do mês. Para enfrentar a queda na renda e a maior inflação em 12 anos, as famílias adotam estratégias como excluir produtos da lista de compras, aproveitar promoções para estocar comida em casa e ir com menos frequência ao supermercado.
Além disso, quatro a cada cinco pedem descontos na hora de pagar, o que os deixou na condição de “reis da pechincha” na comparação com outros quatro países da América Latina. Segundo pesquisa do Data Popular, consultoria especializada em analisar o comportamento das classes C, D e E, 78% dos brasileiros declaram pechinchar mais atualmente, um resultado entre 19 e 35 pontos superiores ao de outros países investigados (México, Chile, Argentina e Uruguai).
“Dentro de cada família brasileira há um Joaquim Levy de saias, que são as donas de casa”, afirma Renato Meirelles, sócio-diretor da consultoria. Enquanto o titular do Ministério da Fazenda tenta implementar o ajuste nas contas públicas, as donas de casa trabalham duro para fazer render o salário e evitar dar um passo atrás na escada de consumo, escalada por milhões na última década. Ainda assim, perdas são inevitáveis.
A classe C, maior beneficiada do recente ciclo de crescimento e que hoje representa quase metade da população, é a que mais tem se obrigado a abdicar de produtos. Um levantamento da consultoria Nielsen mostra que a desaceleração é tão intensa que o gasto dessas famílias perdeu peso no consumo nacional, de 48% em 2014 para 46% em 2015.
“Os consumidores da classe C são os mais endividados. Então, quando se trata de apertar o bolso, eles fazem isso com mais força. Eles acabam limitando o número de idas ao ponto de venda e param de gastar mais”, explica Paula Valadão, executiva-sênior da Nielsen. O corte de categorias consideradas supérfluas é a principal medida tomada pelas famílias.
Cremes para pele, iogurtes, sucos, energéticos e alguns produtos de limpeza como amaciante começam a ser deixados de lado no supermercado, de acordo com a consultoria. Na classe C, quase dois terços das categorias de produtos considerados não essenciais estão menos presentes nos lares.
A aflição também é das empresas. Em abril, o saldo de vendas em 12 meses do setor de hipermercados e supermercados mergulhou no negativo pela primeira vez em 11 anos, tendência que permaneceu no mês de maio, apontou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Uma retração nas vendas neste ano é dada como certa por analistas.
“O consumo ainda segurava um pouco a economia, mas agora a queda veio de forma muito rápida”, avalia o economista Marcel Caparoz, que prevê recuo de pelo menos 2,5% nas vendas do segmento neste ano. Se confirmado, será o pior desempenho desde 2003. (AE)
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