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Variedades Bruno Gagliasso diz que pornografia moldou seu imaginário: “Precisei reaprender a fazer sexo”

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Ator também falou sobre tweets machistas postados anos atrás: "Pedir desculpa e assumir o erro". (Foto: Alexandre Cassiano/Divulgação)

Bruno Gagliasso falou sobre o estrago que a pornografia consumida na adolescência provocou em seu imaginário sexual.

“Foi um reflexo desse machismo. Fiquei super nervoso. Só tive consciência de que foi traumática depois de um tempo. Levaram uma garota de programa na minha casa e eu tinha obrigação de fazer sexo. Foi difícil, não foi legal. Fingi que foi bacana. É que nem os filmes, a pornografia é um exemplo claro disso”, disse em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, do jornal O Globo.

O ator revelou também como precisou desconstruir o ideal de sexualidade que havia sido cristalizado em sua cabeça.

Leia trechos da entrevista:

* Como a sua primeira experiência sexual, aos 13, com uma garota de programa moldou a sua sexualidade?

Foi um reflexo desse machismo. Fiquei super nervoso. Só tive consciência de que foi traumática depois de um tempo. Levaram uma garota de programa na minha casa e eu tinha obrigação de fazer sexo. Foi difícil, não foi legal. Fingi que foi bacana. É que nem os filmes, a pornografia é um exemplo claro disso.

* Do estrago que faz no imaginário dos homens e como é distante do prazer da mulher… Como é que você desconstruiu esse imaginário na sua cabeça?

Tive que reaprender a fazer sexo. Amor é troca, aprender junto. Achava que fazer sexo era o que via nos filmes. Impossível sentir prazer daquela maneira com aquela performance toda. Tudo muito errado, sou contra mesmo. Acho que tem que ter controle sobre isso. Moldou meu imaginário, que fui desconstruindo vivendo, descobrindo junto, tendo relações de troca de fato. Crescendo, lendo, trocando e fazendo muito amor. Na adolescência, você passa a duvidar se realmente gosta de fazer sexo. Porque não é prazeroso nem pra quem está performando. Pode ser pro ego.. Depois que descobre como é bom fazer diferente…

* Para a mulher é terrível. Para o homem, uma pressão danada…

Para o homem também é ruim. As pessoas falam: “Ah, porque homem brocha”. Isso porque demos um peso para isso… e porque queremos performar daquela maneira. É óbvio que vão ter momentos que vamos broxar. E se brochar, vai se culpar, achar que fraquejou. Reflexos desse machismo estrutural que a gente vê nos cursos por aí.

* Em 2018, resgatou tweets antigos machistas seus e pediu desculpas falando sobre a necessidade de rever comportamentos. O que a autoanálise te ensinou sobre comportamentos que homens reproduzem sem perceber?

Piada homofóbica, por exemplo. Meus dois melhores amigos são gays, como vou fazer piada homofóbica? Fui, imaturo e reproduzi. É isso que não quero que meus filhos façam, educo para isso. Não tive educação. Precisamos nos colocar nesse lugar de que erramos mesmo. Isso é ser homem, pedir desculpa, reconhecer, assumir o erro.

Irmão

Bruno afirmou ainda que não tem volta a relação rompida com o irmão, Thiago Gagliasso. Os dois divergem politicamente. Enquanto Bruno se coloca no espectro à esquerda da política, Thiago é bolsonarista. Na entrevista, o ator contou não haver mais relação entre os dois.

“Não tem relação! Prefiro ficar com as memórias lindas da infância. Amo tudo isso que a gente viveu, nossa infância, adolescência. Jamais vou responder os ataques dele. Tudo que as pessoas querem é que eu responda, mas não vou. Na verdade, vou responder… com silêncio, ausência. Em respeito ao que a gente viveu e à minha mãe”, afirmou.

Ele disse também achar que a situação dos dois não tem volta.

“Eu acho que não. A gente poderia estar em lado oposto, porque não é sobre política, é sobre moral e valores, caráter. Não falo do meu irmão com a minha mãe.”

Questionado se acredita que certa superioridade moral e a certeza de estar com a razão por parte da esquerda tornou o progressismo um pouco intolerante, Bruno disse que sim.

“Acho, e me coloco como parte disso. Fico vendo quem está outro lado. Admiro culturalmente, intelectualmente alguém que está do outro lado? Não! Estou falando do extremismo, de bebedor de detergente. Não me sinto capaz de convencer… Quer beber detergente? Bebe! Meus heróis não estão ali. O que as pessoas leem, escrevem, cantam? É inevitável pensar isso. Como a gente vai comunicar, se aproximar dessas pessoas, trazer para o lado de cá? Aí são outros 500. Eu não consigo, não tenho diálogo. Depois de quatro, de tudo que foi comprovado? Não vou conversar com uma pessoa que faz curso para dizer o que é ser homem”, assegurou. (Com informações do jornal O Globo)

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