Domingo, 29 de Março de 2020

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Celebridades Carolina Dieckmann garante que cansou de fazer papel de mulher bonita

Atriz revela que papel de mocinha “não é o mais interessante”. (Foto: Reprodução)

Carolina Dieckmann ainda não chegou aos 40 anos, mas já soma 24 de carreira. Mãe de dois filhos, um de 17 e outro de 9, foi precoce em tudo, mas não deseja que eles sigam seus passos. “Acho que um menino de 13 anos tem que estudar, morar fora do País, namorar e principalmente, ter a liberdade de errar”, pondera a atriz, que há seis meses trocou o Rio de Janeiro por Miami (EUA), onde está por um ano acompanhando o marido.

Lá, Carolina – que aos 13 anos já era celebridade por aqui – está curtindo a sensação de ser anônima. Ela comentou também que o papel de mocinha bonita “não é o mais interessante” e com o tempo os papéis “vão ficando mais profundos”.

Como está sendo a experiência de morar em Miami?
Carolina Dieckmann – Tô lá e cá, na verdade. Meu filho mais velho, Davi, ficou no Rio. Ele quer se formar com os amigos da vida inteira, só falta um ano.
Você tem sido elogiada por seu trabalho no filme “O Silêncio do Céu”, do diretor Marco Dutra, em que protagonizou uma forte cena de estupro.

Carolina – Foi difícil. Não houve uma grande preparação para filmar, minha única preocupação com a cena foi estar disponível o tempo inteiro para o diretor e reagir instintivamente com os atores. Foi forte, chorei muito quando terminou. A situação era muito tensa e isso ficava ainda pior com os barulhos, a força que precisei fazer. Fiquei exausta.

O ator argentino Leonardo Sbaraglia, seu parceiro de cena no filme, disse que além de linda você é talentosa. Como foi trabalhar com ele?
Carolina – Foi uma delícia trabalhar com o Leo. Ele é um ator intenso, com muita experiência e profundidade.

Como lidou com a questão da língua, já que o filme foi gravado em espanhol e você já disse que não domina o idioma?
Carolina – Sobre essa questão da língua foi muito bom ter vencido essa barreira. Eu tinha muito medo, mas quando comecei a estudar percebi que o medo era bem maior do que a dificuldade real. Adoro desafios e me sinto bem ao enfrentá-los.

Você começou a trabalhar cedo, casou e teve filho cedo. Olhando para trás, arrepende-se de algo?
Carolina – Esse pensamento e esse julgamento são muito difíceis porque eu só vivi desse jeito, não sei o que ganhei ou perdi porque essa é a minha única experiência. Mas não desejo, por exemplo, para os meus filhos, a vida que tive, não por ter uma crítica e achar que foi ruim ou bom, simplesmente porque entendo que um menino de 13 anos tem que estudar, morar fora do País, namorar e principalmente, ter a liberdade de errar. Quando você começa muito cedo a dar entrevistas, ser famosa e tudo, fica sendo cobrada o tempo todo, e lidar com isso é difícil, né?

Você passa a impressão de ser uma pessoa muito segura de si, toma conta da sua carreira desde o início. O que acha da questão do feminismo? Se identifica?
Carolina – Eu não me sinto representante de nada. Isso é uma das coisas que mais me angustiam na vida, em vários momentos ter que pensar sobre o que vou falar ou como vou agir porque vai influenciar as pessoas. Quando é através do trabalho é diferente, porque é um personagem que vai levar a uma discussão, abordar um assunto A, B ou C e fazer as pessoas pensarem sobre a questão. Mas quando se trata de pessoa física é muito complicado, ninguém é exemplo, né?

Sente-se muito cobrada?
Carolina – Procuro não estar nesse lugar. Sou uma cidadã comum. Não acho que a minha opinião tenha mais importância do que a dos outros, embora, às vezes, as pessoas me vejam desse jeito. Eu gosto de me sentir normal.

Mas, tendo sido famosa desde adolescente, acha que sabe o que é ser “normal”?
Carolina – Olha, essa experiência que eu estou tendo agora de morar fora do País está sendo ótima para mim. Posso ir e vir sem ser observada toda a hora. O fato de você ser observada o tempo inteiro cansa.

Como uma atriz muito bonita, fez muito o papel da mocinha. Com o passar dos anos, que papéis se vê fazendo?
Carolina – Ah, os mais interessantes. Porque o da bonita com certeza não é o mais interessante. Acho que com o tempo os papéis vão ficando mais profundos, você também tem mais pra dar, mais conteúdo. Tudo tem seu tempo, o papel da mocinha também é legal quando somos jovens, mas já cansei. A vida é assim, tudo tem o seu momento. (Sonia Racy/AE)

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