Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de julho de 2021
O temor de uma nova onda da pandemia da covid-19 ressurgiu na Europa após a Organização Mundial de Saúde (OMS) informar, nesta quinta-feira (1º), que o número de casos confirmados no continente aumentou 10% nos últimos sete dias, após semanas de queda. A maioria dos casos, ainda de acordo com a OMS, está sendo atribuída à variante Delta — identificada inicialmente na Índia — e mais contagiosa que outras cepas do vírus.
O diretor da OMS para a região da Europa — que inclui não apenas a União Europeia, mas 53 territórios, incluindo Israel — Hans Kluge, afirmou que o novo pico foi provocado pela reabertura dos países, sem que as pessoas ainda estejam totalmente imunizadas, já que 63% da população ainda aguarda por uma primeira dose
“Na semana passada, o número de casos subiu 10%, devido ao aumento dos contatos, às viagens e ao fim das restrições sociais (…). Haverá uma nova onda na região europeia, a não ser que continuemos sendo disciplinados”, afirmou Kluge.
Um exemplo é o grande surto registrado em Mallorca (Espanha), após uma viagem de estudantes que comemoravam o fim do ano letivo. Quase 2 mil casos de contágios foram confirmados e cerca de 6 mil pessoas estão em quarentena. Nesta quinta, uma embarcação com 118 estudantes que testaram negativo zarpou rumo a Valência, de onde os jovens poderão voltar para suas cidades depois de apresentarem novo resultado negativo.
Os cientistas acreditam que a variante delta pode ser duas vezes mais transmissível que o coronavírus original, e seu potencial para infectar algumas pessoas parcialmente vacinadas alarmou as autoridades de saúde pública.
Uma estimativa do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), divulgado na semana passada, aponta que 90% dos casos de covid-19 na União Europeia serão causados pela variante Delta até o final de agosto.
Apesar da ameaça, a maioria das vacinas existentes parecem ser eficazes para impedir o agravamento da infecção pela variante. Estudos iniciais apontam que os infectados desenvolvendo apenas casos leves ou assintomáticos. A questão é que, mesmo nos países mais ricos — exceto por um punhado de nações com populações pequenas — menos da metade das pessoas está totalmente vacinada.
Os especialistas dizem que, com a disseminação de novas variantes, taxas de vacinação acentuadamente mais altas e precauções contínuas são necessárias para domar a pandemia, porém as desigualdades no desenvolvimento econômico, nos sistemas de saúde e — apesar das promessas dos líderes mundiais — no acesso às vacinas tornaram a última onda muito maior e mais mortal.
“Os países desenvolvidos usaram os recursos disponíveis porque os possuem e querem proteger seu povo primeiro”, disse Dono Widiatmoko, professor sênior de saúde e assistência social na Universidade de Derby e membro da Associação de Saúde Pública da Indonésia . “É natural, mas se olharmos do ponto de vista dos direitos humanos, toda vida tem o mesmo valor.”
E como as autoridades de saúde pública continuam repetindo, e a pandemia continua provando, enquanto uma região estiver sob tensão, nenhuma parte do mundo estará segura.
Ameaça
Com o cenário de aumento das infecções, a OMS pediu atenção das autoridades de cidades que vão receber as últimas partidas da Eurocopa, especialmente com os espectadores. Neste ano, o torneio está sendo realizado sem sede fixa, com vários países recebendo jogos. Perguntado se a Euro teria impulsionado essas infecções, Kluge respondeu: “Espero que não, mas não posso descartar”.
A Rússia, uma das sedes da Eurocopa, é uma das que mais sofre com o aumento atual. Castigado pela variante delta, o país registrou 672 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, quebrando o recorde de mortes diárias pelo terceiro dia seguido.
No entanto, a pandemia não está se agravando apenas na Europa. Especialmente na Ásia, os países estão sofrendo com o número recorde de casos e mortes. Na Indonésia, quarto país mais populoso do mundo, coveiros trabalham noite adentro, pois o oxigênio e as vacinas são escassos. Em Bangladesh, a reimposição de um lockdown na capital, Daca, fez com que trabalhadores sazonais fugissem para suas empobrecidas vilas natais, quase certamente semeando o coronavírus nelas.
Em países como a Coreia do Sul e Israel, que pareciam ter vencido em grande parte o vírus, novos grupos da doenças proliferaram. Autoridades de saúde chinesas anunciaram na segunda (28) que construiriam um centro de quarentena gigante com até 5 mil quartos para acomodar viajantes internacionais.
Enquanto isso, na Austrália, a confirmação de casos da variante fez com que o governo impusesse um novo lockdown em algumas de suas principais cidades, como Sydney e Darwin, deixando milhões de pessoas em casa.
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