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Colunistas Cenário de Walking Dead em Pindorama

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O valor abrange a previsão de exportações que deixaram de ser feitas e a atividade do mercado interno. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Quem conhece a série Walking Dead sabe do que estou falando. Na série, ocorre uma epidemia e sobram poucas pessoas. Os infectados viram zumbis que se alimentam de pessoas vivas. As cidades ficam cheias de carros abandonados. Um grupo de pessoas resiste e sai andando Estados Unidos a fora em busca de alimentos e gasolina.

O Brasil, graças a Petrobras e seu grande Gestor Pedro, o Parente, e à troika que está no poder (Reco-Reco, Bolão e Azeitona). Foram colocados contra a parede pelos caminhoneiros, que, em um país que optou pelas rodovias e acabou com as ferrovias (grande trabalho do regime militar – aliás, muitos caminhoneiros querem a sua volta), nada mais perigoso. Caminhoneiros em greve em um país sem ferrovias e transporte aquático é como policiais armados em greve.

Na Alemanha se os caminhoneiros fizerem greve, a Ângela os manda chuparem um carpim. Porque lá não há o monopólio dos caminhões. E nem os militares ficaram tantos anos no poder e desmontaram as ferrovias.

Claro que os caminhoneiros têm parcela de razão. Afinal, Pedro, o Parente, fez um acordo com os acionistas da Petrobras e subiu o combustível como se ele fosse o dono da venda. Patético. Pior: depois da derrubada do ancién regime, o nouveau regime fez um novo regulamento da Petrobras que deu nisso. Sim, pelo novo regulamento, o governo não pode se meter nos preços da estatal.

Incrível. O petróleo é de quem? Ah, alguém dirá, a Petrobras estava quebrada. Bom, só quero dizer que, aumentando o combustível como fez Pedro, o Parente, qualquer um faz a estatal dar lucro. Não precisa ser economista. Pode ser um mecânico sem instrução e fará igual ou melhor que o Pedro, que, aliás, ajudou a quebrar com a cidade de Rio Grande.

Então: caminheiros em greve são apoiados por gente como Bolsonaro. Nada mais logico. Ele quer o caos. E ele é a favor de intervenção militar, embora nem a maior parte dos militares o apoie.
Globo News aposta no caos. Mostra supermercados com pouco estoque. Brasil igual a Venezuela, diz um afoito reporterzinho. “Palma, palma, não priemos cânico”, dizia o Chapolin Colorado, grande filósofo contemporâneo. Não é para tanto. E se espalharmos o pânico, pior será.

Há que cuidar para que não transformemos isso em algo como num conto que li faz tempo. A mãe toma uma borrachera e levanta tarde. Diz para o filho: o mundo vai acabar. Vai na venda e compra um pacote de erva. E o filho vai à venda e compra a erva, mas avisa ao dono da venda que a mãe dissera que o mundo iria acabar. E o dono da venda diz para o próximo cliente que o mundo iria acabar. E assim foi passando o dia. A mãe comeu alguma coisa e foi dormir para curar o porre. Levantou apenas ao final da tarde. Olhou pela janela e viu a cidade incendiada. E disse: eu tinha razão, O mundo está acabando.

Pois do jeito que Merval, Camarote e quejandos trata da matéria parece que os walkings deads logo estarão á nossa porta. Penso que a grande mídia poderia deixar sensacionalismos de lado e parar de entrevistar o pipoqueiro. O parlamento é outro trapalhão, a começar pelo Rodrigo, o Maia (será que ele é da família dos Maia?), que se enganou no cálculo da desoneração e teve que pedir para o Senado rejeitar o projeto que ele capitaneou na Câmara. Tsk tsk tsk. Que feio.

Temer chamou, agora, a cavalaria para pilotar os caminhões, se necessário. Bueno. Vamos ver no que vai dar. Já escrevi, aqui, várias vezes, que não aguento mais alguém, candidato ou recandidato, falar na necessidade de ferrovia. Anos e anos e ninguém colocou um dormente. Nenhum governo pós-militar. Somando os militares e os não militares, já são mais de 50 anos de destruição de ferrovias. E da ode aos caminhões. Caminhões de todos os tipos. Eis o ponto frágil. Tudo depende deles. Pior: eles agora descobriram. Tranquem as portas. Detalhe: os zumbis só morrem se você acertar na cabeça. Da próxima vez que um político falar: temos de construir ferrovias e não estiver com um dormente na mão, tasco-lhe a mão nas fuças. Ou o entrego aos walkings,

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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