Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Renato Zimmermann | 15 de junho de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Como desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética, tenho estudado sobre o papel das certificações ISO e NBR na construção de uma sociedade mais justa, transparente e preparada para os desafios do século XXI. Essas normas, muitas vezes vistas como burocráticas ou técnicas, são na verdade instrumentos poderosos de transformação. Elas estabelecem padrões de qualidade, segurança e responsabilidade socioambiental que beneficiam não apenas empresas, mas toda a sociedade brasileira.
A ISO (International Organization for Standardization) é uma entidade internacional que cria normas reconhecidas globalmente. Já a NBR (Norma Brasileira) é a adaptação nacional, elaborada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que traduz e contextualiza esses padrões para a realidade brasileira. Juntas, elas funcionam como uma linguagem comum que garante que produtos, serviços e processos atendam requisitos mínimos de qualidade e sustentabilidade.
O funcionamento é simples, mas robusto: empresas que desejam se certificar passam por auditorias independentes, que verificam se seus processos estão alinhados às normas. Isso gera confiança para consumidores, investidores e parceiros comerciais. No caso das normas voltadas à sustentabilidade, como a ISO 26000 (responsabilidade social) ou a NBR 16001 (sistema de gestão da responsabilidade social), o impacto é direto: empresas passam a adotar práticas que reduzem impactos ambientais, promovem inclusão social e fortalecem a ética corporativa.
Esse movimento dialoga diretamente com a Lei nº 15.042/2024, que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). A lei estabelece regras para o mercado de carbono, incentivando empresas a reduzir suas emissões e a negociar créditos de carbono. Ora, como garantir que essas reduções sejam reais e verificáveis? É aí que entram as certificações ISO e NBR. Elas fornecem metodologias e padrões que permitem medir, auditar e comprovar resultados. Sem normas técnicas confiáveis, o SBCE correria o risco de se tornar um mercado frágil, vulnerável a fraudes e greenwashing.
Além disso, certificações fortalecem a competitividade internacional. Em um mundo cada vez mais exigente, empresas brasileiras que adotam padrões ISO e NBR se posicionam melhor em cadeias globais de valor. Isso abre portas para exportações, atrai investimentos e gera empregos de qualidade. Para a sociedade, o benefício é duplo: mais desenvolvimento econômico e mais responsabilidade socioambiental.
Mas é preciso reconhecer que o Brasil vive um momento de contradições. Enquanto avançamos com a regulamentação do SBCE e com projetos de lei como o PL nº 2.113/2025 (Selo Empresa Sustentável) e o PL nº 2.401/2025 (Marco Legal da Descarbonização da Indústria), vimos recentemente a CVM revogar a obrigatoriedade dos relatórios de sustentabilidade. Esse tipo de retrocesso institucional gera desconfiança e pode esvaziar a marcha verde brasileira. É um sinal de alerta: não podemos permitir que movimentos retrógrados comprometam conquistas tão importantes.
As certificações ISO e NBR, portanto, não são apenas ferramentas técnicas. Elas são instrumentos de cidadania corporativa, capazes de alinhar empresas às demandas da sociedade por transparência, ética e sustentabilidade. Ao adotar essas normas, o Brasil fortalece sua credibilidade internacional e garante que a transição energética e os compromissos com as metas de redução de emissão de gases de efeito estufa ocorram de forma sólida e confiável.
O Congresso Nacional precisa se mobilizar para que normas e leis caminhem juntas. Não basta criar o SBCE ou aprovar projetos de lei ambiciosos se, ao mesmo tempo, autarquias como a CVM fragilizam a transparência. A sociedade brasileira merece instituições fortes, que não se deixem capturar por interesses imediatistas.
Em tempos de desgaste institucional, cada retrocesso é um risco de murchar a marcha verde. As certificações ISO e NBR são parte da solução: elas oferecem o rigor técnico e a confiança necessários para que o Brasil avance sem medo. O futuro sustentável depende de normas sólidas, leis coerentes e instituições comprometidas.
– Renato Zimmermann desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética (Contato: rena.zimm@gmail.com)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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