Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 30 de julho de 2025
No dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou novas sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e assinou uma ordem executiva estabelecendo que a sobretaxa de 50% às exportações brasileiras entrará em vigor no próximo dia 6, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi convidado a Washington para uma reunião com o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio.
Foi a primeira vez que Vieira e Rubio se falaram pessoalmente desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro deste ano.
No encontro, ocorrido no início da tarde dessa quarta-feira (30), o chanceler do presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a Rubio que o Brasil negocia comércio e tarifas, menos a soberania. Vieira deplorou as sanções impostas a Moraes e lamentou a vinculação do tarifaço de Trump a uma questão política.
“Enfatizei que é inaceitável e descabida a ingerência na soberania nacional no que diz respeito a decisões do Poder Judiciário do Brasil, inclusive a condição odo processo judicial no qual é réu o ex-presidente Bolsonaro”, afirmou Vieira, na saída, em rápida declaração à imprensa, acrescentando que as negociações ainda estão em aberto.
O ministro reforçou: “Afirmei que o Poder Judiciário é independente no Brasil, tanto como aqui, e não se curvará a pressões externas”.
O chanceler de Lula reiterou a posição do governo brasileiro de não incluir, em uma negociação comercial, a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo processo está em andamento no Supremo Tribunal Federal – ele é acusado de tentativa de golpe de Estado, o que nega.
Trump pressiona o Brasil para que seja feito algo para parar o processo contra Bolsonaro, conduzido pelo STF. Mas Lula afirma que o Judiciário é independente.
Vieira viajou para Nova York na última segunda-feira, para participar de uma discussão na ONU sobre a situação na Palestina. Ele informou ao governo americano que estaria disposto a viajar para Washington para um encontro de alto nível, se fosse chamado.
Nesta quarta-feira, a Casa Branca anunciou o uso da Lei Magnitsky contra Moraes. Com isso, o magistrado, que teve o visto de entrada nos EUA suspenso, está sujeito a outras sanções, como o bloqueio de bens que estiverem em território americano e a proibição de compras com cartão de crédito internacional de empresas daquele país.
Instantes depois, Trump assinou um decreto implementando uma tarifa adicional de 40% sobre o Brasil, somando-se aos 10% anunciados em abril e elevando o total da tarifa para 50%. Além de vários produtos terem sido excluídos da medida, houve um adiamento de sete dias para a vigência da sobretaxa, que passaria a valer nesta sexta-feira.
Mais cedo, em uma rede social, Rubio se manifestou em relação às sanções contra Moraes: “Que este seja um aviso para aqueles que atropelam os direitos fundamentais de seus compatriotas – as togas judiciais não podem protegê-los”. As informações são do jornal O Globo.
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