Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de maio de 2016
Cientistas de Valencia (Espanha) conseguiram criar espermatozoides humanos a partir de células da pele que, embora sejam incapazes de fertilização, representam um passo importante na resolução de problemas de fertilidade. Cerca de 15% dos casais do mundo não podem ter filhos e sua única opção é a doação de óvulos ou de esperma de terceiros.
“O que acontece quando uma pessoa que quer uma criança carece de gametas [células reprodutivas, ovócitos ou espermatozoides]? Este é o problema que queremos resolver: criar gametas naquelas pessoas que não possuem”, afirmou Carlos Simón, diretor científico do Instituto de Infertilidade de Valencia.
O estudo, realizado em colaboração com a Universidade Americana de Stanford, foi publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.
Os pesquisadores foram inspirados pela técnica de reprogramação celular concebida pelo japonês Shinya Yamanaka e o britânico John Gurdon, premiados em 2012 com o Prêmio Nobel de Medicina, para converter células adultas em células-tronco.
Em sua experiência, eles conseguiram reprogramar diretamente as células maduras da pele introduzindo-lhes um coquetel de genes essenciais para a criação de gametas.
Em um mês, a célula começa a ser modificada até obter o perfil próprio de uma célula germinal, o tipo de célula responsável pela formação de ovócitos e espermatozoides, porém ainda incapazes de fecundar. “É um espermatozoide, mas precisa de uma fase de maior maturidade para se tornar um gameta competente. É apenas o começo”, disse Simon.
Os pesquisadores ainda estão longe de atingir o êxito de cientistas chineses, que produziram este ano ratos de espermatozoides artificialmente criados e injetados em um óvulo, que, por sua vez, foi implantado em uma fêmea. “Com a espécie humana, teremos de fazer muitos testes, porque daqui nascerá uma criança”, disse ele.
Além disso, vão encontrar limitações legais: para continuar o desenvolvimento da técnica deverão criar embriões artificiais, algo que só é permitido em alguns países como a Inglaterra, onde pretendem continuar a sua pesquisa. (AG)
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