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| Cientistas criam fermento que pode transformar açúcar em ópio

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Campo de papoulas no distrito de Kandahars Zhari, no Afeganistão. (Crédito: Reprodução)

A heroína feita em casa pode se tornar realidade, alertaram cientistas, depois da criação de variedades de fermento concebidas para converter açúcar em opiáceos. O avanço marca a primeira ocasião em que cientistas reproduziram artificialmente todo o percurso químico que acontece nas papoulas a fim de produzir morfina na natureza.
Os cientistas alertaram que a descoberta abriria caminho para a substituição de plantações de papoulas por “cervejarias” locais de morfina, e pediram a regulamentação urgente da tecnologia. Em teoria, produzir ópio não seria mais difícil do que aprender a usar um kit para fazer cerveja em casa, o que resultaria na possibilidade de pessoas instalarem laboratórios de produção de droga caseiros ao estilo da série americana “Breaking Bad”.

Tania Bubela, professora de saúde pública na Universidade de Alberta (Canadá) e coautora de um comentário sobre a pesquisa em questão na revista Nature, disse que “em princípio, qualquer pessoa com acesso à variedade de fermento em questão e conhecimentos básicos de fermentação poderia criar fermento produtor de morfina usando um kit para produção doméstica de cerveja”.

A equipe responsável pela descoberta parou a um curto passo de concluir a cadeia química de uma variante de fermento muito fácil de produzir, e anunciou uma moratória voluntária em seu trabalho a fim de dar tempo às autoridades policiais e regulatórias para recuperar o atraso.
As descobertas marcam uma virada nos esforços que vêm sendo realizados há mais de uma década para reproduzir em micróbios o percurso químico de 15 passos que acontece na planta da papoula. Os cientistas haviam obtido sucesso anteriormente em reproduzir a segunda metade do percurso químico, mas a conversão inicial de glicose em um composto chamado reticulina havia provado ser uma dificuldade. O mais recente estudo resolve o problema pela primeira vez inserindo no fermento genes de uma planta de papoula, beterraba e uma bactéria que vive na terra.

“A hora de pensar em novas políticas para tratar dessa área de pesquisa é agora”, disse John Dueber, o líder do estudo, bioengenheiro da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA). “O campo de pesquisa está avançando com surpreendente rapidez, e precisamos nos antecipar, para que possamos mitigar o potencial de abuso.”

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