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Saúde Cientistas descobrem que genética eleva risco de Alzheimer em mulheres

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Idade prejudica capacidade de o corpo fazer ajustes fisiológicos. (Foto: Freepik)

Pesquisadores da Universidade de Chicago e da Escola de Medicina da Universidade de Boston, ambas nos Estados Unidos, identificaram um novo gene que parece aumentar o risco de Alzheimer em mulheres. A descoberta, publicada na revista Alzheimer’s Disease & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association, fornece uma nova pista sobre por que as mulheres são mais diagnosticadas com a doença do que os homens.

Nos Estados Unidos, 6,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais foram diagnosticadas com a doença, destas quase dois terços são mulheres. Isso significa que a doença de Alzheimer é quase duas vezes mais comum em mulheres do que em homens.

O gene recém-descoberto é chamado O6-Metilguanina-DNA-metiltransferase ou simplesmente MGMT,. Ele desempenha um papel importante na forma como o corpo repara danos ao DNA em homens e mulheres. No entanto, parece aumentar o aumento do risco de Alzheimer, mas apenas em pessoas do sexo feminino.

A descoberta da existência do novo gene foi feita em dois grupos de pessoas completamente diferentes. No primeiro deles, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Chicago estava analisando a composição genética de uma grande família de huteritas, uma população de ascendência da Europa Central que se estabeleceu na região centro-oeste do país. Como os huteritas são uma população fechada que se casa dentro de suas próprias origens e mantêm extensos registros genealógicos, eles se tornaram uma excelente escolha para pesquisas genéticas. Neste estudo, os indivíduos com Alzheimer eram todos mulheres.

A segunda abordagem, baseada em evidências sugerindo uma ligação entre Alzheimer e câncer de mama, analisou dados genéticos de um grupo nacional de 10.340 mulheres que não tinham APOE ε4, uma variante genética de risco para o Alzheimer.

Em ambos os conjuntos de dados, o MGMT foi significativamente associado ao desenvolvimento de Alzheimer. A equipe de pesquisa comparou os resultados ao tecido cerebral masculino autopsiado e não encontrou associação entre o gene MGMT e a doença em homens.

Em seguida, os pesquisadores analisaram o MGMT via epigenética, que é o que acontece quando um gene é ativado ou desativado por comportamentos e fatores ambientais, os pesquisadores descobriram que o gene, que ajuda na reparação de danos no DNA, está significativamente associado ao desenvolvimento das proteínas beta-amiloide e tau, que são características da doença de Alzheimer, especialmente em mulheres.

A descoberta, segundo os pesquisadores, é particularmente robusta porque aconteceu independentemente em duas populações distintas, usando abordagens diferentes. “Esta é uma das poucas e talvez a mais forte associação de um fator de risco genético para a doença de Alzheimer que é específico para as mulheres”, disse Lindsay Farrer, chefe de genética biomédica da Universidade de Boston e autora sênior do estudo, em comunicado.

O gene APOE ε4 é considerado o fator de risco mais forte para o desenvolvimento futuro da doença de Alzheimer em pessoas com mais de 65 anos. No entanto, muitas mulheres com essa variante não desenvolvem a doença, enquanto mulheres sem o gene ainda podem desenvolvê-la. O MGMT pode ser uma das explicações por trás disso.

Segundo os pesquisadores, este estudo demonstra a importância da busca por fatores de risco genéticos para Alzheimer, que podem ser específicos de um gênero. Mais estudos são necessários para entender por que o MGMT influencia o risco de a doença ser identificada mais em mulheres do que em homens. As informações são do jornal O Globo.

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