Sábado, 25 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 26 de agosto de 2020
Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (26) na revista científica “Nature”, uma das mais importantes do mundo, sugere que as mulheres têm uma resposta imune mais eficiente ao novo coronavírus (Sars-CoV-2) do que os homens. O estudo é liderado por pesquisadores de vários países, inclusive brasileiros, na Universidade de Yale.
Os cientistas analisaram 98 pacientes (47 homens e 51 mulheres) e concluíram que as mulheres desenvolveram uma resposta mais eficiente das células T, um tipo de célula de defesa do corpo, do que os homens, o que contribuiu para que desenvolvessem menos casos graves.
Além disso, elas tiveram menos respostas inflamatórias à doença do que os homens.
“Existe uma diferença na resposta contra o vírus, com os homens desenvolvendo uma resposta inflamatória acentuada e as mulheres, uma resposta de células T mais eficiente”, explica Carolina Lucas, pesquisadora brasileira de pós-doutorado em imunobiologia em Yale e uma das líderes do estudo.
A resposta inflamatória à covid-19 é uma reação “exagerada” do sistema imune, que causa a chamada “tempestade de citocinas” no corpo e pode levar à morte.
Em um estudo anterior, o grupo de pesquisa da brasileira em Yale mostrou que essa reação exagerada no início da doença pode prever se a pessoa terá complicações pela infecção.
Como já era esperado, os cientistas perceberam, nesta pesquisa, que essas citocinas estavam elevadas em todos os pacientes com covid-19 quando comparados ao grupo controle (que não tinha a doença). Mas os homens tiveram mais citocinas do que as mulheres, explica Lucas.
“Por outro lado, as mulheres não têm essa inflamação acentuada e têm uma resposta de células T mais robusta”, afirma Carolina Lucas.
As células T fazem parte da resposta imune do corpo e têm, entre outras funções, destruir células infectadas com qualquer tipo de vírus (inclusive o Sars-CoV-2).
Os cientistas também perceberam que as mulheres mantiveram essa eficiência na resposta imune mesmo em idades avançadas, o que não ocorreu com os homens. A idade é um fator de risco para a covid-19: quanto mais velha for a pessoa, maior é a chance de que ela desenvolva um quadro grave da doença e venha a morrer.
“As mulheres, mesmo de 90 anos, estão mantendo uma resposta de mulheres mais novas, mas a gente não vê isso em homens. Com o passar da idade, os homens têm um declínio na resposta imune”, destaca a cientista brasileira.
Desde o início da pandemia, os cientistas já vinham percebendo que os homens tinham uma tendência a quadros mais graves da covid-19, mas ainda não está totalmente esclarecido por que isso acontece. A pesquisa do grupo tentou contribuir nesse sentido.
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