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Geral O que são os anticorpos monoclonais, possível alternativa até que se encontre a vacina contra o coronavírus

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O total de casos no País foi a 4.745.464, com 13.155 novos diagnósticos confirmados de domingo para segunda. (Foto: Reprodução)

Para além do avanço das pesquisas em torno de uma vacina contra a covid-19, grupos de pesquisadores e companhias farmacêuticas de todo o mundo continuam buscando alternativas para lidar com a doença causada pelo novo coronavírus.

Uma das opções tidas como promissoras é a terapia de anticorpos monoclonais (ou mAb, na sigla em inglês), um tipo de tratamento que poderia ser adotado tanto para prevenir a infecção quanto para tratar o paciente, uma vez que a doença tenha se desenvolvido.

Todos os projetos de desenvolvimento de anticorpos monoclonais contra a covid-19 ainda estão em fase de estudos, com diversos obstáculos pela frente, como custo, e segurança.

Quando nosso corpo detecta a presença de um antígeno, neste caso o vírus Sars-CoV-2, o sistema imunológico produz anticorpos, proteínas destinadas a neutralizar esse antígeno em particular, com o objetivo de evitar que ele penetre em nossas células, sequestre seus mecanismos e se reproduza.

Os anticorpos monoclonais são as cópias sintéticas criadas em laboratório a partir de um clone de um anticorpo específico, extraído do sangue de uma pessoa que se recuperou da covid-19.

Os mAbs imitam os anticorpos que nosso corpo produz de forma natural.

“A diferença em relação a uma vacina, que introduz uma proteína ou material genético em nosso organismo para estimular o sistema imunológico (e assim gerar anticorpos), é que esses são anticorpos entregues ao corpo para oferecer proteção”, explica Jens Lundgren, médico especializado em doenças infecciosas da Universidade de Copenhague e do hospital Rigshopitalet, na Dinamarca, em entrevista à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC).

“É o que chamamos de imunidade passiva”, afirma o pesquisador, que lidera um dos ensaios clínicos sobre anticorpos monoclonais da farmacêutica Eli Lilly.

Terapias exitosas

Desenvolvidos pela primeira vez como terapia nos anos 1970, eles são utilizados atualmente para tratar com sucesso uma série de doenças, inclusive alguns tipos de câncer.

Desde o início da pandemia, diversos laboratórios (AstraZeneca, Regeneron, VirBiotechnology, Eli Lilly e Adimab, entre outros) têm pesquisado anticorpos monoclonais que sejam de fato efetivos contra o novo coronavírus, e os resultados têm sido promissores.

Numa perspectiva terapêutica, explica à BBC Mundo Gigi Gronvall, professora especializada em imunologia do Centro Johns Hopkins para Segurança da Saúde, nos Estados Unidos, os anticorpos monoclonais são relativamente semelhantes a uma terapia de plasma convalescente, na qual o paciente recebe plasma de uma pessoa recuperada, mas numa forma “muito mais moderna e depurada”.

“Quando você dá plasma a alguém, está dando todos os anticorpos que foram produzidos pelo doador. Alguns podem ser efetivos, mas outros, não. E o conteúdo é um pouco um mistério.”

A diferença dos anticorpos monoclonais está “na seleção daqueles que têm capacidade de neutralizar o vírus”.

O processo de aprovação desses medicamentos pode ser acelerado, segundo Gronvall, porque os órgãos reguladores já estão bastante familiarizados com os anticorpos monoclonais adotados para diversas doenças.

“O mecanismo de ação já está bem compreendido. Sabemos que os anticorpos se unem a coisas e por isso bloqueiam fisicamente a entrada do vírus na célula”, explica Gronvall. “Para os reguladores, é fácil saber o que ocorre com eles, por isso podem superar alguns obstáculos de regulação antes das vacinas.”

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