Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de setembro de 2026
Um grupo de cientistas da Austrália desenvolveu baratas-robôs, equipadas com câmeras e pequenos dispositivos de injeção, para ajudar no atendimento de vítimas presas sob escombros. Chamados de “paraborgs”, os insetos foram projetados por pesquisadores da Universidade de Queensland e da Universidade de Nova Gales do Sul para transportar medicamentos até pessoas isoladas em locais de difícil acesso.
A tecnologia utiliza a barata-gigante-escavadora (Macropanesthia rhinoceros) do norte de Queensland, considerada a mais pesada espécie do animal no planeta e cujo tamanho pode chegar a 8,5 centímetros. Técnicos instalaram sobre seu dorso uma pequena mochila com o “equipamento’ e implantaram um eletrodo em seu sistema nervoso, permitindo controlar seus movimentos por meio de sinais elétricos.
“Uma vez implantado o eletrodo no inseto, podemos aplicar um pequeno sinal elétrico para ativar ou estimular o sistema nervoso, de modo que ele possa responder ao nosso comando”, explica Thang Vo-Doan, engenheiro de biorrobótica da Universidade de Queensland.
Ainda de acordo com o pesquisador, a capacidade natural das baratas de atravessar terrenos irregulares, escalar paredes e se mover em espaços estreitos pode ser especialmente útil em estruturas destruídas: “Eles conseguem andar e correr em terrenos complexos, escalar paredes ou ficar de cabeça para baixo. Isso é extremamente útil em cenários de busca e resgate em ambientes não estruturados”.
Testes
A aposta nos insetos está relacionada à agilidade, resistência e ao baixo consumo de energia das baratas, características difíceis de reproduzir em robôs convencionais. Ainda assim, os “paraborgs” estão longe de serem utilizados em operações reais.
O estudo aponta desafios como a movimentação em meio a escombros, a perda de comunicação dentro de estruturas colapsadas e a necessidade de garantir que o mecanismo de injeção funcione com segurança. Os pesquisadores consideram que novos testes serão necessários antes que a tecnologia possa ser empregada em missões de resgate.
“Muitas pessoas podem não gostar de ver uma barata gigante correndo em sua direção, mas, se você estiver preso sob escombros ou em uma caverna e precisar de ajuda, ela poderá fazer uma diferença decisiva entre a vida e a morte”, afirmou Hai Nhan Le, doutorando e coautor do estudo publicado na revista “Advanced Science”.
A pesquisa, segundo ele, foi além de trabalhos anteriores com insetos ciborgues, que se concentraram em usá-los para localizar vítimas, e não para tratá-las: “As baratas foram usadas porque nenhum robô seria capaz de igualar sua agilidade, resistência e baixo consumo de energia”.
Eletrodos implantados permitiram que os operadores estimulassem o sistema nervoso dos insetos e os guiassem. “Começamos anestesiando o inseto e imobilizando-o para garantir que ele não sinta nada durante o processo de implantação”, afirmou o engenheiro de biorrobótica Thang Vo-Doan, coautor do estudo.
As baratas ciborges seriam controladas remotamente. “Depois que implantamos um eletrodo no inseto, podemos aplicar um pequeno sinal elétrico para ativar ou estimular o sistema nervoso, fazendo com que ele responda aos nossos comandos”, acrescenta o cientista.
Uma das baratas tem mecanismo de injeção e a outra uma câmera. Assim que o ciborgue com a câmera localiza a vítima, o ciborgue com o medicamento é posicionado para que o mecanismo de injeção possa ser acionado. O medicamento ajudaria a estabilizar a vítima até a chegada do resgate.
O estudo utilizou uma barata “observadora”, equipada com uma câmera para localizar alvos para os operadores, e uma segunda barata, que transportava os medicamentos para serem liberados remotamente. Registrou-se uma taxa de sucesso de 100% em alcançar os pontos de controle designados durante os testes e uma taxa geral de sucesso de 72% na entrega dos medicamentos. Quando a injeção era lançada a uma distância de até 15 centímetros do alvo, as taxas de sucesso chegavam a 95%.
De acordo com o estudo, um sistema desse tipo poderia, no futuro, ser usado para estabilizar vítimas em situações em que cada minuto conta, incluindo emergências envolvendo picadas de cobra e reações alérgicas graves. (com informações do portal G1 e Folha de S.Paulo)
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