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Política Ciro Gomes aposta em tom inflamado e se lança como anti-Bolsonaro

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Ciro defendeu um novo projeto de desenvolvimento para o País e elegeu a geração de empregos como primeira tarefa para tirar o Brasil da crise. (Foto: Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil)

Em tom inflamado, Ciro Gomes (PDT) lançou sua candidatura à Presidência da República como uma espécie de anti-Jair Bolsonaro (PSL). Pregando mudanças profundas no país, o pedetista busca uma avenida para conquistar eleitores furiosos, enquanto se contrapõe ao capitão reformado.

O presidenciável exibe uma versão mais moderada da ira de Bolsonaro. Demonstra revolta em relação à corrupção, às injustiças sociais e à violência urbana, mas opta pelo caminho da esquerda para propor soluções.

No lançamento de sua candidatura, nessa sexta-feira, Ciro fez menções indiretas a Bolsonaro. Afirmou que “alguns” tentam atacar os problemas brasileiros “com golpes de frases feitas”, e que a segurança pública não terá solução a partir de “cultura de ódio e mais violência”.

Repetindo uma dezena de vezes que “o Brasil tem que mudar”, o pedetista apresentou sua proposta particular de ruptura de um sistema que julga desmoralizado. Privilegiou um discurso de justiça social em que demonstrou indignação por aqueles que sofrem “a humilhação suprema do desemprego” e dos endividados.

​A opção pelas plataformas alinhadas à esquerda cristaliza Ciro no polo oposto ao de Bolsonaro. O pedetista faz acenos aos empresários da indústria e do comércio, prometendo políticas públicas para resgatar suas produções, mas ataca “plutocratas” e “agiotas” do mercado financeiro.

Ciro ensaia ainda um caminho antissistema. Diz ser perseguido e que suas ideias são atacadas porque pretende acabar com os privilégios de uma elite. “Querem sacrificar o carteiro para que o povo brasileiro não leia a carta”, afirmou.

O pedetista se escorou em expressões dramáticas para demonstrar sua ira. Disse que os dados do desemprego “doem no fundo da alma”, que os brasileiros sofrem “humilhação” por não conseguir pagar seus crediários, que a fila para exames médicos “é uma ignomínia, uma vergonha” e que não aceitará “colocar uma pedra no lugar do coração”.

Ciro pode captar uma parte do filão de eleitores cansados dos políticos e, principalmente, irritados com o atual governo. Identificado como um crítico feroz de Michel Temer, o presidenciável pode aproveitar seus rompantes de indignação para se consolidar como um símbolo de oposição ao status quo.

O pedetista ainda tem uma chance de se diferenciar de seu principal adversário no campo da esquerda, caso Fernando Haddad seja apontado como candidato do PT. O ex-prefeito de São Paulo não tem o estilo virulento de Ciro. O ex-presidente Lula consegue sustentar com maestria discursos nesse tom, mas suas cartas não conseguem transmitir essa indignação.

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