Quarta-feira, 20 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de agosto de 2018
O candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes, classificou como golpe a manobra do PT que tirou Marília Arraes da disputa ao governo de Pernambuco para isolá-lo e chamou de aberração a proposta de ser vice de chapa petista. “O que essa moça Marília Arraes tem a ver comigo? Ela merecia pagar esse preço? Será que o povo de Pernambuco vai engolir com casca e tudo essa providência golpista?”, questionou o pedetista. “Ninguém pode falar em golpe e praticar um golpe. Como se sacrifica um homem como Márcio Lacerda [PSB]?”
A afirmação foi feita durante seminário da Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), em São Paulo, sobre combate à sonegação e corrupção.
Na quarta-feira, as cúpulas do PT e PSB resolveram sacrificar candidaturas estaduais em nome de um pacto nacional que leva ao isolamento do candidato pedetista à Presidência da República.
Pelo acordo, o PSB ficaria neutro na corrida presidencial, e abandonaria a costura de aliança com o PDT. Além disso, seria retirada a candidatura de Márcio Lacerda ao governo de Minas. O PT, em troca, retirará a candidatura da vereadora Marília Arraes ao governo de Pernambuco, em ato de apoio à reeleição do governador Paulo Câmara (PSB).
A Executiva Nacional do PT decidiu apoiar o PSB no Estado, por 17 votos contra 8.
Ciro Gomes atacou o PT ao ser questionado sobre uma proposta de que ele fosse vice do ex-presidente Lula. “Eu acho uma aberração. Porque eu sou candidato do PDT”, disse. “O PT é um dos grandes responsáveis pela tragédia que o Brasil está vivendo neste momento.”
O pedetista afirmou, porém, não guardar ressentimento do partido. “Ressentimento não é palavra que se use em política. Eu acho uma coisa estranha porque não sei o que eu fiz para receber um tratamento desta natureza, tão desleal.”
Ciro Gomes elogiou Marina Silva (Rede) e a comparou consigo mesmo, pelo isolamento e a “decência”. “Alguém pode me acusar pelo meu temperamento. Mas a Marina é uma doçura de pessoa e também está sendo excluída.” Ele também afirmou ter recebido apoio de seções do PSB em vários Estados.
Entretanto, também atacou os demais concorrentes. “Se for pelo filtro da Lava-Jato, sobramos eu, a Marina e o Bolsonaro. Se for pela experiência de governo, aí sou só eu e a Marina mesmo”, ironizou Ciro.
O candidato fez ainda piada com o próprio temperamento. Ao comentar a necessidade de reformulação do orçamento, Ciro Gomes disse à plateia do seminário: “Lá vou perder mais uns votinhos.”
Ciro Gomes arrancou aplausos ao defender que, se eleito, não vai criar programas de recuperação fiscal. “Se eu for eleito, não vai haver em nenhum dos quatro anos Refis”, disse.
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