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Brasil Com 261 parlamentares, a bancada ruralista declarou apoio a Bolsonaro

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Bolsonaro recebeu a presidente da frente, Tereza Cristina. (Foto: Divulgação/FPA)

A FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), grupo que reúne 261 deputados federais e senadores que defendem pautas de interesse da bancada ruralista, anunciou nesta terça-feira (2) de forma oficial o seu apoio ao candidato do PSL à Presidência, deputado Jair Bolsonaro.

A frente disse em nota que tomou a posição “atendendo ao clamor do setor produtivo nacional, de empreendedores individuais aos pequenos agricultores e representantes dos grandes negócios”.

O grupo, que apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), disse que a polarização entre Bolsonaro e o candidato do PT, Fernando Haddad, apontada pelas últimas pesquisas “causa grande preocupação com o futuro do Brasil”, e que por isso decidiu se unir em torno do candidato do PSL.

“Certos de nosso compromisso com os próximos anos de uma governabilidade responsável e transparente, uniremos esforços para evitar que candidatos ligados à esquemas de corrupção e ao aprofundamento da crise econômica brasileira retornem ao comando do nosso país”, acrescentou a FPA em nota assinada por sua presidente, deputada Tereza Cristina (DEM-MS).

Tereza Cristina esteve com Bolsonaro às 11h na casa do deputado no Rio, onde ele se recupera da facada levada no abdômen durante evento de rua em Juiz de Fora (MG), no dia 6 do mês passado.

A frente reúne 261 de 594 deputados e senadores. Historicamente ligada a candidatura do PSDB e fortemente integrada por membros do chamado centrão, a frente vinha se aproximando de Bolsonaro à medida em que a postulação de Geraldo Alckmin estagnava nas pesquisas.

O movimento, contudo, vinha desde o ano passado. Representantes do tucanato junto ao setor consideravam a candidatura Bolsonaro a mais próxima do agronegócio. Um deles, o ex-assessor de Alckmin Frederico D´Ávila, filiou-se ao PSL e uniu-se à campanha de Bolsonaro.

Alckmin contra-atacou escalando Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e muito influente no setor, para ser seu porta-voz na área. Bolsonaro, por sua vez, conta com Luiz Nabhan Garcia, presidente da UDR (União Democrática Ruralista), como conselheiro principal na área.

O tucano ainda tentou um último apelo ao setor ao escolher Ana Amélia, senadora pelo PP-RS, como sua vice. Com histórico próximo dos produtores da região Sul, ela acabou rejeitada por várias de suas lideranças, que viram na sua adesão à campanha do PSDB uma traição.

Para complicar, o tucano Marconi Perillo, ex-governador goiano e candidato ao Senado, virou alvo de operação policial —ele é muito ligado ao setor produtivo no Centro-Oeste, não por acaso a região em que Bolsonaro atinge os maiores índices de intenção de voto.

Mesmo Ciro Gomes (PDT), candidato à esquerda no espectro desta eleição, acenou ao setor ao indicar como vice Kátia Abreu (PDT). O problema para a antiga líder ruralista no setor, contudo, é a resistência que sua associação com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) gerou.

Além da importância econômica, o agro tem grande capilaridade. A Sociedade Rural Brasileira estima haver 5,5 milhões de pessoas empregadas diretamente em sua cadeia produtiva no Brasil. Se isso parece pouco, é importante lembrar que cada uma delas tem família e geralmente integra núcleos comunitários regionais, ampliando em quatro ou cinco vezes seu alcance.

O pulo do gato político agora para Bolsonaro será achar um discurso que concilie sua rejeição da política tradicional e do apoio do centrão, majoritário na composição da frente ruralista, e o apoio desse setor.

Seus estrategistas trabalham com a ideia de que a adesão é ideológica, uma vez que o agronegócio é provavelmente o setor produtivo mais refratário ao petismo hoje encarnado em Fernando Haddad, e não fisiológica. Como isso se dará na prática é outra questão.

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